domingo, 26 de dezembro de 2010

os suburbios (pt2)

Ele continuou contando e disse que o tal homem marcado se apaixonou por Danielle, e começou a fazer visitas fora de hora nas casas de show em que ela se apresentava. Danielle contava que estes homens eram ávidos por sexo, e que somente profissionais da carne poderiam dar conta de seus desejos compulsivos.
- Fale mais.
- Ela contou que um dia seu cafetão a estapeou no rosto, e no fim da noite ele foi encontrado morto no deposito de lixo nos fundos do clube.
-Como?
-Parece que com duzentos ossos do corpo esmagados. Como que se tivesse sido atingido por uma pedra. Do seu tamanho.
-Ahan...
-E a cabeça foi arrancada.
Aquilo estava ficando repulsivo, então ele disse que uma noite estava transando com ela quando o homem marcado chegou.
- E o que você fez? – perguntei.
- Me escondi.
- Como?
- Você não vai querer saber.
-Preciso saber de tudo.
- Me escondi dentro dela.
Eu já tinha ouvido falar desse tipo de perversão sexual dos Liliputianos, que devido ao seu tamanho entram na boceta da mulher e ficam lá dançando. Dizem que elas ficam loucas. Também já ouvi falar de mulheres que tem compulsão por enfiar objetos na boceta, e de homens que gostam de se enforcar enquanto estão batendo punheta para aumentar o tempo do orgasmo. Essas taras não me assustavam, e embora fosse irrelevante, perguntei com toda a entonação de perícia um detalhe sórdido que me despertou de certa forma o interesse.
-Você se escondeu no cu ou na boceta?
E ele respondeu no cu.
- Certo. Quero a discrição física dela. Tudo. Cor dos olhos, do cabelo, altura, seios. Também quero os nomes dos clubes em que ela trabalha e do novo cafetão dela.
- Se você quiser, pode encontrá-la ainda hoje em um clube chamado Inferno da luz vermelha, mas lá é muito barra pesada e não sei se eles aceitam clientes humanos.
- Você ouviu isso Tarso? Não aceitam seres humanos.
- Sim senhor. Vamos tomar mais uma dose de Whisky aqui e conseguimos chegar lá antes das duas da manhã.
Eu sempre gostei do meu trabalho. Sempre gostei de dar tiros, e de me infiltrar no submundo estorquindo drogados e negociando com putas, prendendo bandidos, executando pessoas que em geral fizeram mal a outras pessoas. Tudo sempre dando muito certo, ganhando muito dinheiro. Mas as coisas mudaram muito, acho que esse ano completa dez anos desde a nova ordem mundial. Puta que pariu dez anos desde que o mundo se tornou um caos, e descobrimos que não sabíamos nada de nossa natureza. Dez anos que eu descobri as coisas não giram apenas em torno do dinheiro, que existem causas muito maiores que o dinheiro, existe uma força interna, uma mágica, um poder que o dinheiro não pode comprar. Aquele homem marcado tem esse poder, e eu quero pega-lo. Foi muito estranho e gratificante para mim, o dia em que percebi que não era mais corrupto, que não queria mais ferrar meus semelhantes, eu deveria protegê-los. Servir à lei e a ordem, e abdicar dos prazeres mundanos e das coisas materiais que sempre prezei. Carros, mulheres, casa em muriqui, festa de final de ano, ser conceito na rua. De certa forma, acho que abdicar desses prazeres efêmeros fez com que eu me sentisse cada vez mais próximo de toda essa magia, de todo esse poder e a fantasia de quem sabe um dia me tornar um deles. Um homem marcado.
Só me sobrou minha arma, o álcool e minha humanidade.


Chegamos no tal puteiro do inferno e nossa entrada não foi barrada. De fato o lugar era como uma câmara infernal. Era soturno e repleto de luzes todas vermelhas. A fumaça não permitia enxergar além da palma da mão e o cheiro de formol faria qualquer coisa querer vomitar. Era horrível, haviam cabeças espalhadas por todos os lados. Cabeças penduradas, cabeças no bar, rostos sem olhos, outro preso pela língua. E não eram apenas cabeças, haviam dezenas de pedaços de corpos espalhados por todo o local.
Fui correndo para o bar pedir um Martini duplo, e acabei esmagando uma mão no caminho.
- Puta que Pariu estamos no meio de uma salada de restos de corpos humanos!
Tarso estava assustado também, havia um torso tentando se arrastar no chão ao nosso lado, uma perna montada em cima de um braço e mais algumas costelas, que engendravam uma espécie de inseto, pedaços pulando, pedaços se arrastando por cima de nossos pés, e umas cinco mulheres humanas dançando para essas coisas no palco. Mulheres bonitas dançando funk. Cerveja e chopp gelado, música eletrônica caos sonoro de centenas de pedaços falando alto e fumando.
A atendente do bar disse que não havia Martini e então eu pedi uma cerveja. Tarso me acompanhou. Perguntei a ela sobre Danielle, e ela disse que era setenta Reais. Mais o quarto. Então eu disse que só queria vê-la e ela falou que iria se apresentar em vinte minutos.
Enquanto ela falava vi um pé se arrastando com o que parecia ser um pedaço de uma mão de quatro três dedos, eles se fundiam como que se estivessem trepando, mas acho que estavam ajudando-se a se locomoverem.
- Caralho! Acho que estou tendo um delirium tremens.
- Fique calmo senhor, eles parecem que estão se divertindo. – Tarso sempre foi mais controlado emocionalmente do que eu.
Pedi outra cerveja e tentei aproveitar a situação. A menina do bar me atendeu e percebi que ela também não tinha um braço.
Havia uma cabeça apoiada no bar me olhando, e era evidente que ela queria conversar. Talvez ele soubesse de alguma coisa. Nos aproximamos e ela nos ofereceu outra cerveja. A cabeça tinha uma voz muito aveludada e falava um português perfeito.
- Fiquem a vontade rapazes, já percebi que você não costuma vir aqui. Aqui é o lugar onde os imortais costumam vir beber e falar merda, enfim, se divertir. Você sabe, muitas vezes mesmo os imortais sofrem acidentes , como se chama? Fatais? E como seus corpos se negam a morrer, eles ficam por ai, despedaçados sem ter aonde ir.
- Compreendo.
- Um cai do prédio, o outro é atropelado, outro foi fuzilado. É um mundo muito louco lá fora. Você acredita que eu fui esquartejado por uma prostituta enquanto dormia. Ta vendo aquele pau ali? _ Ele apontou para um pedaço de pele que pude distinguir era um saco se rastejando perto do palco. – Aquele é o meu pau. Antes eu tinha que ficar me rastejando pelas ruas como um marginal, agora posso ficar aqui bebendo cerveja, enquanto converso com meus amigos e fico vendo meu pau foder uma mulher. Por isso montei este estabelecimento e está dando muito certo. Sempre trabalhei com clubes noturnos e o segredo é a cerveja gelada. Cerveja gelada e mulheres bonitas. Afinal, vocês são especiais ou são humanos?
- Somos humanos.
- Olha, que maravilha. Nunca vejo de vocês por aqui. A cerveja esta liberada por minha conta. Agora olhem que delícia.
Olhamos para o palco e a dançarina tinha pego o pau que estava se rastejando no chão e o colocava na boca enquanto dançava. Outra vez ficamos vendo aquele saco murcho só que dessa vez pendendo para fora da boca da moça.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Os suburbios (pt1)

Estávamos investigando um caso de homicídio. Nos tempos em que vivemos hoje homicídios são coisas que passam desapercebidas, porem este, era um caso diferente. Segundo testemunhas um homem marcado havia matado um homem do governo e as autoridades tinham o dever de mostrar que estavam fazendo algo, então nos mandaram para bairros suburbanos e nos instruíram que se não encontrássemos nenhuma pista era melhor não voltar para a corregedoria. Meu nome e Saulo e este é meu parceiro Tarso, somos detetives a caminho de nosso dia do juízo final. Desde o dia da nova ordem mundial dois seres humanos penetrarem os subúrbios deste pandemônio de cidade é uma sentença de morte. Mas nós éramos durões, e estávamos armados.
- Para aonde nó vamos senhor?
- Vamos pela linha vermelha. Mas antes encosta naquele posto. Preciso comprar uma garrafa de Whisky.
- Burbon, senhor?
- Nada. Do jeito como as coisas estão, vou ter que beber o Titchers.
- Excelente escolha senhor, para uma missão suicida...
- Ah, vai se foder.
Eu adoro meu parceiro, nós nos xingamos o tempo inteiro e também já acertamos as contas com o crime muitas vezes juntos, se é que vocês me entendem. Mas quando a ordem era de prender ou matar, seguíamos a lei cegamente como um inseto é atraído pela luz.
Bebemos metade da garrafa do Titchers e chegamos em Madureira. O whisky já me deixara mais corajoso e a arma se posicionava o tempo inteiro ao alcance da mão. Estávamos tensos, aquilo era terra de ninguém.
Havia um cara que ligou para o disque denuncia, dizendo que conhecia alguém que testemunhou o crime, um parceiro que se sentiu traído talvez e que estava disposto a servir de informante para a polícia. Concordamos de encontrá-lo em Madureira, pois de lá ele nos levaria em um bar aonde estava o tal informante.
Encontramos o ser que fez a denuncia e ele era um crustáceo. Tipo de coisa muito comum aqui no Brasil após a nova ordem mundial. Eles dominaram as praias com suas barracas de pedras e suas garras metálicas. Se eu estivesse andando na rua sozinho, não pararia para falar com esse cara, o que não era o caso. Ele queria ajudar. Este andava sobre duas pernas, tinha uma cabeça enorme e fumava cigarro. Parece que o olfato dessa galera é muito bom e ele me perguntou se eu estava bêbado, então perguntei se ele era uma lagosta, coisa que eu sei que os ofende como um japonês que é confundido com chinês. Resolvemos nossas dissidências, e ele disse; - Vamos. Vou levar vocês até o informante.
Entramos em um clube de strip acompanhados do crustáceo até o bar aonde se encontrava o homem, e lá estava ele. Era um Liliputiano. Liliputianos são homens iguais aos seres humanos, mas com uma pequena diferença, eles medem em média vinte centímetros, ou seja, ele é do tamanho do meu sapato. Seu nome era Antonio terceiro e estava disposto a falar.
- Estive com uma garota que trepa com um desses paranormais conhecidos como a casta dos homens marcados. – Disse o Liliputiano.
- O caranguejo aqui disse que você esteve com um desses homens, e não que você fode a mulher dele, o que está acontecendo aqui?
- não, não, você não entendeu, é muito arriscado falar sobre isso dessa maneira.
Então coloquei a palma da mão aberta sobre a mesa e ele subiu. Em seguida, ergui a mão até meu rosto para que a conversa ficasse somente entre nós dois.
- Cuidado com sua respiração, ou vou acabar ficando bêbado.
- Pare de conversa e me conte logo o que você sabe sobre esse cara, não consta nos registros da policia que eles habitem o Brasil.
- Hum, você que pensa, existem vários deles no mundo todo.
O Liliputiano me contou que estava tendo um caso com uma prostituta que se apaixonou por ele e queria largar a vida profissional. Eles passavam muitas horas do dia juntos conversando sobre os dramas e os privilégios de sua profissão, e em uma dessas conversas, ela contou que possuía uma clientela muito especial, ligada a algum tipo de seita, e que nessa seita seres humanos evocavam um desses homens marcados e ofereciam a ela como reverencia para o “Semi deus” como eles o chamavam.
- Então há uma corrupção por trás dessa porra?
- Sim, sim, eram aristocratas de todas as fratrias; juízes, advogados, políticos, bicheiros.
-Sabe alguma coisa sobre a associação de trafico de bebês?
-Apenas que eles vem da Croácia.
- Entendo. E essa moça. Como se chama?
-Danielle. Ela trabalhava no circo. Mas isso não é tudo.

sábado, 9 de outubro de 2010

Jardim zoológico da paixão.


Paixão fantasmagórica. Alegoria dos corpos. Jardim zoológico dos sentidos. Estar junto a alguém nos dias de hoje é definitivamente um espetaculo pavoroso. Quero dizer, nessa relação a dois, que é o principal? Supoem-se que por se tratar de minha própria vida, que eu ocupe esse lugar. Então, já que sou o personagem principal de minha vida, que papel representa meu parceiro ou parceira nessa peça? O de quadiovante? Então vejo o cartaz da peça estampado em um otdoor que diz; "Jardim Zoológico do amor. Uma tragédia balzaquiana sobre um casal do sec XXI que se amam e com isso tem de aprender a domar seus animais internos. Amor, sexo, traição, confiança e desespero nesse clássico que vai entrar para os anais da história do teatro. Estrelando B.A (Ele) e grande elenco (Ela)".
Jardim zoológico do amor. Esse seria o nome obra de nossas vidas. Por essa alma que a este corpo está aprisionada, eu inevitavelmente seria o personagem principal, e ela, minha mulher, minha parceira, seria representada por um grande elenco. Seu nome nem apareceria no cartaz , seria somente anunciada como um grande elenco. Em uma peça trágica como essa, só haveria lugar para um nome. Caso houvessem dois, não haveria necessidade para montar um espetaculo sobre os dramas que vive um casal que tem de lutar para domesticar sua hiena interior comendo todos os dias a mesma ração humana, e dormindo todas as noites na mesma cama.
Orgãos sexuais em volta de casa. Ânus que faz mais belas promessas. Músculo pélvico amarrado a uma palmeira. Juke box. Espasmos na areia da perseguida. Calafrios ao pensar que pela origem embriológica é a mesma e que por isso o orgasmo é igual no homem e na mulher.
Bom. É assim que me sinto. Como uma hiena que foi arrancada de seu habitat natural para viver em cativeiro com outra experiência..
Quando nos conhecemos, nos topamos nos jardins da paixão, e por lá permanecemos por uns tempos em bioenergia. Havia aquela sensação de livre esxpressão dos sentimentos emocionais e sexuais no relacionamento. Agora nos mudamos para o jardim zoológico do amor. Por que tem que ser assim? A resposta sexual. Me sinto seguro o suficiente para não duvidar do que sinto por ela, e acreditar que minha hiena interna está domada. Mas por quanto tempo? Repito a questão. Por que tem que ser assim? Wilhen Reich conseguiu após horas de espera se encontrar com Freud, o até então discípulo entregou a seu mestre sua primeira obra escrita. " A gene da neurose". Freud pega o livro com as duas mão. Avalia o tamanho generoso do volume e lhe faz somente uma observação; - Por que tão grande?
Confesso aqui, que assim como Reich, tive uma vida sexual um tanto turbulenta. Desde cedo vivendo no interior, a vida na fazenda me ensinou coisas sobre a natureza que não se aprende dentro de um apartamento. Aos cinco anos um de meus passa tempo preferidos, era assistir a cópula dos animais. Esse hábito se estendeu para além, e comecei espionar os outros moradores do local em seus movimentos diários e descompromissados de vai e vem. Eu espiava todos os amantes em nossa grande propriedade. Até mesmo minha própria mãe. Deixo para descrever os pormenores desse episódio conflitante edípico/Voyerismo mais tarde.
O fato é que com doze anos, um pouco antes de meu contato com meu primeiro par de tesouras, eu já havia perdido a virgindade com uma das empregadas da casa. Outros detalhes sórdidos sobre a minha precoce vida sexual serão descritos no vai e vem dessas páginas no decorrer dos fatos.
Acreditas mesmo que uma fera pode ser dominada? Eu digo, a paixão?Ja tentei hipnose e psicoterapia. Me sinto surpreso com os sentimentos que me acometem diariamente e a conclusão que chego é que sou um estranho. Confraternizar-se com o espírito, beber o vinho dos santos, abrir a jaula dos macacos. Corpo físico.Pegar aquele telefone. Corpo físico. Ligar para aquele número e dizer para aquele nome que "Olha, sou eu. Não aguento mais!" Faça o que estiver afim. Dance com o Diabo na lua cheia se precisar, você está livre". Corpo físico.
Mas eu... eu... eu não consigo...
Anorgasmia.
É claro que ela está livre. Não nascemos no Egito. Somos seres livres desde o dia em que nascemos. É impressionante como até minha linguagem é afetada por esse neoplatonismo cristão que banha minha alma em culpa e me faz sofrer. É óbvio que ela é livre. Quero dizer, se ela quiser, é livre para fazer o que bem entender, e quem sou eu, para impedi-la? Euforia.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

A negociação de arquivos Bob Marley no Rio de janeiro

Depois tudo aconteceu conforme o prometido. Tão pouco eu terminava o corte moças seguiam com os novos rumos de suas vidas. Os cabelos ditavam tendências, os clientes enlouqueciam e os salões ficavam lotados. As mulheres histéricas se amontoavam aos bandos e ofereciam suas almas se fosse preciso por um Chanel ou um repicado. Com o tempo, é claro que o buxixo chegou até as classes mais elevadas e então comecei a cortar os cabelos da elite. Sempre daquele jeito; quanto maior a ambição da cliente, geralmente mais escura e exótica a sua aura, e consequentemente, o seu novo cabelo.
Apesar de tudo isso, eu me mantive humilde como a batata-da-terra. A fama nunca me subiu a cabeça, e os investimentos em bebidas e ansiolíticos não param de crescer.
A praia estava deprimente. não sei exatamente o por que de eu estar aqui. Pessoas sujas e mal educadas falam aos berros e ficam babando sobre as bundas que se encontram em toda a parte. De fato, as bundas eram maneiras. Vejo uma gostosa que também tem suas tatuagens esverdeadas como as minhas, seu biquini encravado no cú. Ela se aproxima, e ao menor dos movimentos bruscos na areia seu corpo é sacudido gerando um grande tremor na terra de movimentos tectônicos. Isso não é mutação, é mal formação. Diz uma das vozes em minha cabeça. Ela se senta , saca um baseado do maço de cigarros e começa a fumar com um grupo de amigas. Também quero fumar mas não sei o que dizer. Ela passa o baseado que fica grudado na boca de sua amiga. Me levanto e fico me alongando perto do grupo para ver se alguma delas me reconhece. O famoso cabelereiro. Aquele de sexualidade ambígua. Uma delas cospe na mão e esfrega a saliva que chega a transbordar para que a coisa fique acesa por mais tempo. Elas não me reconhecem. Tiro os óculos escuros e dou uma risada de uma de suas piadas como alguém que acidentalmente ouviu a conversa do grupo. Elas não reparam. O baseado chega na ponta e se apaga.

Como um muçulmano, recolho minha canga do Bob Marley e realizo a peregrinação para perto de outro grupo de fumantes. Dessa vez são dois rapazes que também fumam exibindo suas tatuagens e conversam sobre a India. Simpatizo com eles e me introduzo bem direto.
- Fala ae galera, rola deu dar um dois com vocês?
- Claro cara, deixa só o meu parcero fumar que o beck é dele e você fuma também.
A dupla era agradável. Eram viajantes. A conversa era sobre a erupção do Krakatoa, um vulcão a oeste de Java. Logo evoluiu para o tipo de maconha que se fuma na indonésia, e finalmente chegamos até a pena de morte.
- Será que a gente não podia mudar de assunto não? Esse negócio de pena de morte, sei lá. me deixa meio assim ... me deixa meio nervoso.
- Pode crê cara. "fffuuu..." Mó vacilação... 'fffuuuu'... essa parada de pena de morte na indonésia. "fffuuuu...." Nego lá só queria fumar bagulho bom e curtir.
- Essa é a parada.
- Tipo, na Hollanda, a gente só fumava do verde. Todo dia. Mó astral cara. Igual essa tua canga ae do Bob Marley.
Meu Daimon interior mais uma vez estava certo. Esses moleques eram maneiros. Conversamos sobre diferentes tipos de maconha e religião do mundo inteiro. Traçamos um paralelo entre as plantações de canabis sativa na América do norte, e sua estreita ligação com os cultos evangélicos que são predominantes na região. Cocluimos, que devido ao fuso horário, o tão odiado presidente Bush deveria estar acendendo um baseadão nesse exato momento em uma de suas enormes propriedades no Texas.
Enfim, o marasmo da droga. A quietude. Algo que se faça curtir essa situação tropical que agora me encanta a alma. Conversar com estranhos, chegar as alturas da iluminação e da revolução da dialética. - Hummm... Krakatoa. Ser embalado pelo som das palavra desconhecida, ouvir a onda do mar. Mente quieta. Passividade e recptividade. Paz divina. Forma elevada de pensar e de não pensar. Recordar e re-descobrir o motivo pelo qual tomei aquele avião do Espirito Santo e vim para o Rio de Janeiro. Auto-observação e compreensão. Avaliar cada pensamento que chega a mente e considerar que toda idéia tem dois polos, negativo e positivo. Esse é o momento em que todas aquelas bundas se viram para mim, e eu fico contente de estar aqui. Não vacilar. Curtir o momento. Aliás, negócio bom esse de Java, sem bad trip, nenhuma tempestade. Uma dupla de Pms se aproxima e rodam um grupo que fumava em um cachimbo. O símbolo da polícia militar intimamente ligado com o da magia negra naquele momento. No cahimbo, um chape de um duende. Ningem se desespera. Ta tudo uma maravilha. Princípio pensante sob controle. Intimidade de contato com aquele "Aquilo" descrito por Jack Korouack. Eu chamo de "Verdade". A cada instante uma nova descoberta, uma cor, um detalhe. Cada momento é absoluto... vivo... significante.... e de repente... o silencio. Vamos agora colar nossas mão no peito em forma de um coração e entoar o mantra "Om". "AAAAUUUUUMMMMM". O som do universo, o conhecimento dos vedas. Vigília, sono, e sonho. Sonho... Silencio. Vou abrindo os olhos lentamente, e vejo que tudo continua lá. O sol, o mar, as bundas. Então, novamente o silencio .............................................................................................................
- Pode crer, Krakatoa...
- Ae cara, você não é aquele maluco que corta o cabelo de geral?
Em meu transe, percebo que as palavras são dirigidas a mim.
- Sim, sou eu mesmo.
- Porra, pode crer. Satisfação cara. Se ligou Brow? É ele que corta o cabelo daquela mulherada toda. Tu ta bombando na mídia.
- Pode crer. Lança o corte novo da Krakatoa.
Algumas risadas.
Foneticamente o nome não agradaria muito, mas eu ja imaginava como seria.
"AAAAAAAAUUUUUUUUUUUMMMMMMMMMMMMMMMMMM"

terça-feira, 28 de setembro de 2010

O escolhido


Gnosticismo, Babilônia, Persa, África, Candomblé, Budismo, Judaísmo, Cristianismo, Zoroastro, Buda, Jesus, Pazuzu, paráclito, dez mandamentos, macumba, império Romano, Dioclécio, século IV, idade média.

Tenho cagaço de descer ladeira a baixo.
Tenho cagaço de descer ladeira a baixo.

Tinha um amigo meu que se comunicava através dos sonhos. Bastava alguém sonhar com o cara, e no dia seguinte havia uma mensagem de texto no celular. As vezes sonhava com um lugar comum, e na manhã seguinte nos encotravamos lá na hora marcada dentro do sonho.
Praia. Calor. Cheiro de mijo. Suor. Cerveja. Bundas. Trópico de capricórnio. Brasil. Rio de janeiro. Muita gente me olhando. Provavelmente é por causa do me cabelo, que atualmente está descolorido tipo Dunna. Sou uma pessoa sentimental. Não gosto quando fica uma bando de gente, geralmente semi, ou totalmente mesozóicos rindo a toa da minha cara. A cada quinhentos homens, um nasce como eu. Me lembro quando fui escolhido para o ofício de cortar cabelos. Foi Obaluayê quem me escolheu. Foi Yansãn quem me deu minha primeira tesoura. Me foi solicitado que as enterrasse em água parada ou em um pântano. Eu digo "as" pois para os iniciados na arte de cortar os cabelos enxergam a tesoura como um instrumento de equilíbrio, de bi-polaridade, de paradoxos como por exemplo entre o bem e o mal. A tesoura, corta para os dois lados. Ela é binária, justa, dualista, bi-sexual.
Após esse dia, como me foi inaugurado, basta seguir a minha intuição, e pronto. Minhas mãos fazem todo o serviço. O santos me guiam. Os cabelos, ficam maravilhosos! Eo olho para o rosto do cliente e vejo halo de luz que paira sobre seu rosto. Azul, as vezes violeta, branco rajado. Essa mulher quer mudar o rumo de seu casamento, e o novo cabelo jovem e sensual é peça fundamental no labirinto de sua vida. Ela deseja se sentir atraente para seu amante, e assim, mudar radicalmente seu destino. Começando pelo cabelo. Quando vejo halo escuro, com cor de lama, sei que essa aqui é das invejosas e que deseja muito se parecer com alguém, se contenta em ser uma réplica de algum personagem de novela. A cor verde, no entanto, representa algo mais simples, essa mulher quer apenas ficar diferente. É claro que existem outros tipos de sinais alem das cores, cheiro de mel, cheiro de feijão fradinho, e dependendo do status da madame, cheiro de merda.
Tesouras, erotismo, sensualidade, felicidade, sexo sem limites, corpo, alma, espiritualidade.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Eu corto seu Sexo

Me parece que tudo isso pegue um pouco mal aqui por essas bandas. Um símbolo pagão e ácido no meu peito, sugerindo que sou filho da noite, um felino que me rasga a pele sugerindo que sou feito de papel . Uma boca enorme com uma língua lúbrica se babando toda no direito. todos símbolos gays? Que merda. Para um cara jovem isso tudo poderia aparentar uma enorme aventura, mas para um maluco de quarenta e seis anos, isso sugere condições estranhas como "porra louquice", infantilidade e homossexualismo tardio.
Toquei o foda-se vesti minha sunga e peguei o elevador. Em vez de tocar o "T", apertei o botão da" SS", minha intuição neurótica me dizia que nesse caso essa era a coisa certa a se fazer. Enquanto descia, ao passar pelo quinto andar, me lembrei que ao trocar de roupa, deixei minha tesoura no quarto. Tudo bem, eu certamente que não iria precisar dela enquanto estivesse a tomar banho de mar. - W-14 ; Se precisar cortar o pau de um filho da puta que quer te estuprar a tesoura está a mão. Depois de cortar, fazer o babaca engolir o próprio membro e engasgar com o sangue.
- Aqui não tem veado não porra! O meu sangue, vai te envenenar seu filho da puta.
No brasil o coito anal não é enquadrado no código penal como estupro. Logo não tem como um homem ser estuprado.
Penso em cirurgias de troca de sexo, medicina e vivisecção. Salto na "SS" e vou subindo a rampa dos automóveis até a rua Viera Soto aonde vejo a praia. Em uma fração de segundos deixo de lembrar de Adolf Hitler e Joseph Mangeler para pensar em picolé Yopa.
Eu corto seu sexo fora.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Livro 2 - Tesouras

Faça sempre a coisa certa. Acredite em sua sorte. Mesmo que isso lhe custe algumas amizades. Sonhos favoráveis, como por exemplo, ser cortado ao meio com ma tesoura. Dividir. Não somar. A soma do todo é maior que as partes. Duas cabeças pensam melhor que uma, um corpo rejeita duas cabeças, não funciona, morre.

- Você se acha! Né sua puta?
- Do que você está falando?
-Você se acha, acha que tudo o que você faz é certo, que é melhor que os outros.
-Aé? E você? Seu merda! [Click]

Ela desliga o telefone na minha cara. Minha namorada. Feminina. Traiçoeira.
Puta/merda.
É disso que estou falando. Faça sempre a coisa certa e os outros não terão o que falar de você. E quando tiverem também, eles que se fodam! A maioria das pessoas não sabe o que dizer. Opressão da alma por todos os cantos.
A temporada carioca seria curta, por isso a boa era afiar suas tesouras e aproveitar o máximo a estação, que nesse caso era verão. Praias lotadas. O céu e a terra pegando fogo. Lixo transbordando no mar. Bundas gigantescas. Na areia picolé de laranja com cenoura. Na calçada meninos de rua cracudos querendo mais dinheiro para dessa forma fumar mais crack. Sempre a tempo para tudo.
Minha estatura, mais para gordo que para magro, olhos verdes e grandes, boca sensual, cabelos cuidadosamente tratados. Na minha mente, sentimentos ambíguos de estranheza e admiração, no meu peito minhas tatuagens, entre minhas pernas os meus flancos nos meus pés os meus chinelos e em minhas mãos, é claro, as minhas tesouras.
A fusão dos dois elementos primordiais, o reino da luz e o reino das trevas, originou o mundo material, que é essencialmente mal.
Apesar de todo o sol e de toda aquela beleza tropical, eu continuava me sentindo paranóico. Não sou filho do sol. O medo me persegue quase que constantemente, e não é a certeza de uma morte iminente, como no caso dos seguidores de Paul o Polvo que me sinto ameaçado. Tenho cagaço, por exemplo, de que toda aquela multidão de maconheiros e ambulantes da praia descubram que estou aqui, hospedado nesse hotel, nesse quarto, e então venham me cobrar na madrugada invadindo meus sonhos recheados de medusas, harpias e outras tragédias gregas. Tenho medo que descubram quem eu sou de verdade. Outro filho de Obaluayê. Tenho medo, por exemplo, que descubram que eu penso que eles pensam que sou gay. Ae Fodeu. Basta eu acender um baseado com esses maconheiros na praia que eles vem em meus olhos que eu penso que eles pensam e todo mundo vai começar a me chamar de viadinho. Porra. Só por que sou cabelereiro. E também tem a porra das minhas tatuagens. Meio estranhas. Aquela boca com a língua para fora dos Rolling Stones no braço esquerdo, que fiz com tanto orgulho no início dos anos setenta, e que essa altura ja está verde de tão gasta. Ela entra em sintonia, com um tigre rasgando minha pele como papel que fiz no braço esquerdo quando treinava Kung Fu. E para fechar o balanço, um pentagrama bem posicionado no me plexo como um carimbo autenticado por Satanás, de que após a minha morte serei residente em seus domínios. É claro que eu não acredito nesse folclore de anjos e demonios, não poderia.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

121 Maniacs. Feat Maldita

http://www.youtube.com/watch?v=cJ3GKpjBALk

Então malditos, estou disposto a fazer um novo vídeo com os melhores momentos dos filmes que marcaram minha bucólica e eterna infância. Percebo que cada vez que comenta-se sobre esse vídeo no youtube, me lembro de algum personagem que me foi esquecido.
Gostaria de nesse novo vídeo, contar com a colaboração de vocês. Deixem aqui nesse post, os nomes dos monstros, demônios e psicopatas que gostariam de assistir no novo vídeo. Não precisam ser apenas filmes de terror, podem ser aberrações boazinhas também.

Conto com a participação de vocês. Lembrem-se, sem vocês, eu não sou real.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Diálogos (pt2)

Já estava anoitecendo e eu ficando bêbado, quando decidi perguntar como foi matar. Ele falou sério, mas não tirou a estampa de alegria e passividade do rosto. Falou que matar para fazer justição não era como matar de verdade. Matar de verdade, era como matar um cachorrinho. Uma injustiça. Porem matar por vingança era como matar um estuprador que molestou alguém de sua família, e foi isso que aconteceu. Disse que pegou a arma emprestada com um amigo bandido, mas que não foi preciso usa-la. Matou o filho da puta com as próprias mãos e arma comprada com o único dinheiro que tinha no mundo, atirou no lago. Mas o malandro tinha conceito na área e eu tive que ser exilado, igual Caetano Veloso e Chico Buarque, saca? Falou que a diferença entre dois homens inoscentes, um que não matou e outro que matou só pode ser percebida nos sonhos, e eu, que era psicólogo entenderia mais o por quê do que ele. Sonho muito com os olhos dele virando e escuto o som do pescoço ao quebrar-se. Só. E voltou a sorrir. Água mole e pedra dura, tanto bate até que fura, né. Contemplamos uns minutos de silencio e ele disse; Mas dor mesmo é não ver minha filha a mais de um ano. E por que não a vê? A mãe dela não deixa. Após meu incidente, comecei a beber muito, e a bebida, você sabe, me dava vontade de cheirar. Vida de palhaço não é fácil não. Ficar sempre sorrindo, contando piada, animando, precisava dar um levante. E então, e as vezes, digamos que minhas palhaçadas ultrapassavam os limites. A criançada adorava. O único palhaço que ficava pulando e fazendo malabarismo até as seis horas da manhã. Porra Pablo, eu precisava ter o seu telefone. Ele riu, pois nunca teve um. Depois continuou a falar. Minha mulher, que é evangélica, começou a ficar com medo do palhaço pipoca, entendeu agora o apelido. Claro, hoje mesmo quase ganhei o apelido de Ovo frito. Por que? Por que eu estava a conversar com um. Oh... Entendeu. É por isso que entrei para a igreja, para que as pessoas possam me enxergar com olhos melhores. Não acredito em deus. Mas quando se é pobre, sabe, as pessoas tem preconceito com esse tipo de altivismo. (Duas coisas aconteceram; não toquei mais na garrafa porrete e me surpreendi mais uma vez com seu vocabulário). Isso me fez pensar. Isso me fez pensar muito. Isso acabou com todos os meus problemas. Transformei minha angustia e minha dor de estomago em cócegas. Comecei a sorrir, virei o palhaço. Tudo faz sentido em uma vida sem sentido quando você assume que seu reflexo inexistente do outro lado do espelho, bem poderia ser o reflexo de um palhaço. Rir com respeito, como deve ser rir de um palhaço, como não se deve rir de um esquizofrênico, respeitar a loucura do outro. Se permitir ser um louco respeitado. De que me valeria querer ser a família feliz, se o garotinho travesso queria vir falar comigo e foi censurado pelos pais. De que valeria ser a família feliz e ficar vendo meu filho querendo comer a minha mulher. De que valeria ser feliz se eu sou um palhaço. É certo de que eu adoraria ter um filho, mas o mundo não me permitiria ser um bom pai, por mais carinhosa e bela que fosse a minha alma, os valores não me permitiriam ser um bom pai. Como fizeram com Pablo, eles também me julgariam.Me pendurariam na cruz. De que vale ser um psicólogo se não posso ousar, de que vale ser pai se não posso ver o meu filho, de que vale ser um falso moralista, de que vale sentir remorso de ontem, se fiz exatamente o que meu inconsciente mandou Remorso é para os fracos. De que vale confessar pecados que um dia foram desejos realizados, de que vale ficar aqui reclamando da vida enquanto tenho o palhaço Pipoca do meu lado para me mostrar o que é sofrer. Caso resolvido. Pedi a conta, e fomos embora. No final dei um abraço em Pablo, que cheirava muito mal, e lhe dei um presente. Disse a ele que seus conselhos eram deveras mais interessantes que o de todos os doutores do seminário juntos, e que ele devia largar a igreja. Ele respondeu que não sabia quem era Lacan e que eu estava bêbado. Agradeceu o presente, e disse para eu não me preocupar, que ele não dividiria nem um centavo com a igreja. Não era bobo.
Quando fui embora, o telefone tocou, era o Doutor R. – E aê? Tranqüilo? E a pesquisa? Aproveita aquela grana que você ganhou ontem para investirmos na pesquisa. Respondi que não poderia mais investir o dinheiro em ratinhos. Por que ? ele quis saber meio indignado. Por que eu gastei tudo em pipoca.

Fim

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Diálogos (pt1)

Foi enquanto deliberava sobre esses fragmentos de uma mente desfragmentada uma mente pueril, que tive a oportunidade de esbarrar com o personagem da Disney de verdade. De carne e osso, como eu e você. Avistei-o do outro lado da rua. Um palhaço. Não era como esses palhaços de vinte mil dólares que você assiste no circo do Solei se jogando de um trampolim de dez metros sem morrer. Não esse era um autentico palhaço, parecendo um farrapo humano, com a maquiagem tosca e escorrendo, era tão digno de pena que dava vontade de rir. Como de fato é o aspecto de um palhaço. Singelo, cômico e deprimente. Tudo ao mesmo tempo. Alegre e saltitante, com aspecto de quem tem fome, doenças venéreas de etiologia desconhecida, com manchas amareladas de nicotina entre os dedos. Além de um aspecto bizarro, sua abordagem muito me chamou a atenção, pois sem saber de nada da minha vida, me comprimentou fazendo uma piada ridícula, e após minha reação apática ele disse com muito animo; Vejo aqui um doutor vestindo a pele de um louco, que faz de tudo para não ser feliz. Como você sabe? Posso ver em teus olhos. O que? Que doutor não pode usar pele de louco e que louco não pode ter idéia de doutor. Hum... Seu nome, disse ele, era Pablo, mas na periferia todos o conheciam por Pipoca. Era morador de rua. Disse que fugira da comunidade daonde morava pois havia cometido um crime hediondo e agora era jurado de morte. Seu rosto não me parecia um rosto de quem já havia matado antes, muito pelo contrário, até por que ele estava com a cara toda pintada. Alías foi isso que em primeira instancia me chamou a atenção em Pablo.. Ele era um palhaço morador de rua, com um rasgão enorme na altura da bunda em sua roupa surrada e triste de palhaço. Embora, deveras mais fodido do que eu, sua alegria era radiante, seu senso de humor apaixonante, seu português todo errado, seus dotes de leitura, Rg, cpf e endereço, inexistentes.. Esse encontro passou a descoberta do sentido da vida para o terceiro lugar da coisa mais importante que já aconteceu na minha vida, assumindo o segundo. Lhe ofereci um cigarro e convidei-o para tomar um cerveja. Sentamos em um bar e ele disse que tomaria apenas uma água, pois desde que entrara para a igreja havia deixado a bebida e o pó. Nesse momento, lógico, fiquei paralisado de medo. Meu deus, cá estou eu sentado com um palhaço assassino e evangélico. Vou ao banheiro, eu disse. Saí pelo patamar e no meio do caminho lembrei que tinha deixado la os cigarros. Que se dane. Tenho dois mil reais no bolso, deixa aquele para o palhaço. Sai pelo quarteirão e quando já estava perto da outra rua parei. Parei e fiquei pensando. Fiquei pensando nele. Dei meia volta. Se for para eu morrer hoje, que seja não mão de um palhaço. Entrei no bar. Por que demorou tanto? Estou de ressaca, precisei dar uma cagada. Entendi. Apesar de que a prova concreta de muitos anos de estudos das diferentes patologias malignas da mente humana. Psicopatas, sociopatas, perversos, mazoquistas, capitalistas etc... Esse caso de religião (psicose) vestimenta de palhaço (Borderline) e um homicídio nas costas levaria a crer que estou aqui a tomar cerveja com um monstro. Ma muito pelo contrário. Pablo fora até agora, a única pessoa que eu conheci nessa viagem, com quem me identifiquei. Não obstante, qualquer movimento suspeito me fazia agarrar a garrafa de cerveja, um golpe certeiro, e o palhaço assassino entrava em coma. Ele dizia que não sabia o que era o amor, dizia também que tinha um filho, mas que não o via a mais de um ano. Contava como era dura a vida de palhaço. Entre um cigarro e outro ele foi me contando a historia de sua vida. Disse que desde pequeno tinha essa fixação por palhaços pois seu tio havia sido um palhaço muito querido na comunidade em que nascera, o que para ele, conseguir alegrar os outros em tal ambiente, era mais a tarefa de um mágico a que a de um palhaço. Contou também que o tio era viciado em crack e que cometera suicídio. E falou; curioso, né? As duas pessoas mais queridas pelas crianças, adultos e idosos da comunidade, uma se matou e a outra já matou. Concordei com a garrafa na mão. A roupa era do tio dele, e o rasgo uma outra historia. Paguei a ele uma porção de lingüiça, que seria como cianureto em meu estomago. Ele devorou. Não entramos em assuntos delicados como deus, ou cemitérios clandestinos nas periferias do rio grande do sul. O mais impressionante era a capacidade dele, devido as circunstancias, de ser feliz. Falava com todo mundo, cantava, fazia piadas, imitava os outros, fingia que falava inglês, uma língua indecifrável para qualquer um que falasse. Fazia posições de yoga, dançou tango com uma mulher enorme de gorda, fazendo-a sentir-se menos gorda. Um espetáculo. Como que ele aprendeu todas essas coisas? Pablo disse que embora fosse órfão de mãe e de pai, aprendera com o tio a já mais desprezar um conhecimento, então, apesar de permanecer analfabeto devido a uma dislexia, aprendera de tudo o que pudera fazer com o corpo. Aprendeu a dançar, a cantar, a fazer careta, se maquiar, tudo observando e perguntando. Namorou uma menina de classe media da cidade que estudou dois períodos de filosofia, então sabe que é Platão, Aristóteles e até quis falar comigo sobre o incosciente de Freud. Falava; Eu sou que nem Aristóteles, aprendi tudo assim oh. Com os olhos. E dizia apontando para eles. Se eu tivesse dinheiro, teria sido um químico, como não tenho, virei palhaço. Realmente ele não tinha desperdiçado tempo mesmo, tinha vontade de aprender. Perguntei o que ele achava do Bozo. Ele adorava Bozo. E cantava todas as músicas. Ficou até chato. Falei a Pablo que ele deveria ocupar um cargo maior que de palhaço, mais importante. Tipo vereador, presidente, sei lá. Ele riu e disse que o máximo que conseguiria chegar era a catador de latinha. ( que certamente faz mais por uma cidade, mantendo ela limpa do que o prefeito que nem sei o nome, mas que nada deve fazer alem de roubar e gozar na boca da secretaria).

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

O eterno presente


Andando pelas ruas do sul, de Rayban e calça apertada, me sinto como se fosse Raul Seixas, Ser humano que muito reverencio. Ando pelas praças vazias, tomo um café expresso, converso com hippies que fumam encostados nos prédios. Um deles lembra muito um paciente meu. Compro o jornal. Leio as notícias mais trágicas. (Sou meio necrofilico ). Tomo nota de que dia é hoje. Quinta feira. Fumo um cigarro e saio por ai a contemplar a solidão e o orgulho de um homem livre que já viveu muitas coisas, mas que não sabe nada. Ao contrário da família feliz. Vejo os peixes, atiro miolo de pão aos patos e fico a questionar a razão daquilo tudo. Como um John Lenon do terceiro mundo, ou, como um Sófocles sem Edipo fico ali observando e pensando. Quem são essas pessoas?Por que me olham assim. Gosto tanto de ficar só. Será que escolhi a profissão certa? Quero dizer, será que eu , uma patologia por debaixo de pele sou capaz de ajudar alguém? Será que a família feliz procuraria a minha ajuda se soubessem que sou médico. Talvez se eu fosse o Ultimo do mundo. Talvez. É sarcástico pensar, que pelas vicissitudes da vida me tornei uma pessoa que ajuda a resolver os problemas das outras pessoas, e disso, pela prático de que sou bom, e no entanto, a ultima pessoa que posso ajudar sou eu mesmo. É como quando você pega um avião ou trem nos Estados Unidos e lá está escrito Final destination. Todos os dias da minha vida, a cada momento são meu destino final. Ou seja, um eterno presente. Disforme, atemporal, mensurado por gimbas de cigarro e garrafas de cerveja. Quem sou eu? Me sinto como uma carrera de pó, que um viciado compra na boca, cheira a noite inteira e não dorme nunca mais. Daí eu escrevo um artigo e está tudo certo. Um sentimento efêmero transformado em matéria que usa terno e gravata sobre a substancia incorpória e respeitada que alguns chamam de doutor, outros chamam de doidão e quem realmente me importa chama de nada. Como naquele filme da historia sem fim. O nada. O nada a que tudo consome. Eu devo ser tipo isso mesmo. Mas é melhor ser o nada do que aquele homem feito de coco que anda de triciclo. Gostaria de saber quem eu sou de verdade. Olhar o que tem por debaixo dessa barba, por de trás dessa pele. Mas isso é impossível. Como um Nosferato do século vinte um, mal consigo ver meu reflexo no espelho. Eu vejo um doutor, tipo frankenstein. Mas sei que esse doutor na verdade é o mostro verde de oligofrenia moderada. E Pior, pois além de Nosferatu e de Frankenstein, algumas noites, como ontem, viro Lobisomem. Não lembro de nenhum que tenha um nome conhecido. Um cachorro do mal, que sai por ai cagando e mijando nos outros, cheirando o cu alheio e capaz de matar esmagada uma criança recém nascida. Que merda. Aparte de Nelson Rodriguez, que é relativamente moderno, eu me sinto como se fosse uma mistura heterogênea de todos os monstros da literatura dos séculos antigos. Ainda por cima vestido da pele de um doutor. Dr. Jack e Mr. Hyde. Esse sou eu, meu novo duplo. Eu deveria tomar vergonha na cara, pegar o telefone e ligar para Mary Shelly agora mesmo. Mas ela mudou de número. Os telefones mudam. As pessoas mudam. E é justamente a este devir que acho que me sabotei. Mas creio eu que ainda está em tempo de se subverter esse pessimismo. Até o Peter Pan foi para uma clinica de reabilitação da imaturidade. Tenho que parar de pensar em contos de fadas, ou vou acabar me tornando um deles. Afinal das contas todos os seus autores eram tão outsiders da realidade quanto eu. Não seria tão ruim. O doutor R, por exemplo, parece um duende. A mulher azul, parece a branca de neve. Conheci uma puta que se chamava Bambi, e o Doutor F. parece o dunga e os sete anões.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Famílias de cachorros exóticos

Dores no estomago, mente culpada pessoas histéricas, estados crepusculares, dissociação de consciência, transe, coma, pessoas iradas, choro compulsivo, riso desrregulado. Por que será que eu faço isso comigo? Quero dizer, aonde será que meu ego foi se meter? Será que ele tem consciência como é que estão as coisas aqui do lado de fora? Faço a pergunta, mas ninguém responde. É, ele deve estar dormindo, ou cupado pensando em algo frívolo. Responde seu ego de merda! Nesse momento, percebo que de pensamentos, minhas idéias se tornaram palavras, e que tem uma família, casal e dois filhos, todos iguais, observando o disparateio de um homem que aparentemente, está conversando colericamente com o ovo mexido. Ego. Egg. Lacan seu filho da puta eu te odeio! Significante e significado é o inferno! Isso é tudo farsa. Ego e Id são como ovo mexido e ovo estrelado. Dependo tudo do gosto de cada um. E gosto, todo o mundo já sabe, é que nem cu. Então se foda você, família feliz, vocês escolheram estar aqui agora fazendo o precário sexo matinal na presença dos filhos que não lhe permitem tirar os pés do chão, e eu escolhi ser o doidão de barba mal feita enrolado no roupão fedendo a cigarro bebendo tequila com tiques verbais ou fonéticos e coprolalia. Será que fui eu mesmo que escolhi isso? Teria eu em outra realidade escolhido ser a família feliz? Teria Van Gogh feito uma escolha? Não tive como obter respostas, pois a família dinossauro já havia se recolhido de perto daquela figura moribunda e de confiança ambígua perto das crianças. Não os culpo. Vou até acrescentar essa nova informação no meu manuscrito sobre o sentido da vida; Um dia, ter filhos com a mulher azul. Ter logo dois. Dois não, cinco. Dois azuis, dois brancos e o outro pode ser um cachorrinho. Um Buldog francês, quem sabe. Já sonhei uma vez que um dos nossos filhos teria nascido com a cara de Puggy. Era melhor nem ter dormido. Mas agora uma questão mais importante. Preciso achar o dinheiro que ganhei e ler o jornal. Passo no quarto para deixar o roupão e vestir roupas menos exóticas. Do elevador já posso sentir o cheiro de cigarro e restos de bile seca que vem do 1901. Tem três arrumadeiras na porta como se aquilo fosse um lugar em quarentena, sonde um vírus letal se espahara e suas missões humanitárias era a de não deixar que se propagasse pelo planeta. Uma delas até usava um máscara daquelas que os japoneses usam quando estão duentes. Deve ser japonesa. Entro lá na maior cara de pau, afinal das contas, sou um médico respeitado; - Não se incomodem, meninas, já estou de saída. Troco de roupa, encontro no bolso da claça urinada dois maços de dinheiro contendo mil Reais cada um. Ohhoo, eras verdade. Diógenes existe. Escovo os dentes, limpo os restos de vomito barba, ponho os óculos escuros e saio em retirada olhando para a cara enfezada das moças . Elas sabem que no meu sorriso tem um que de ; Viu o que acontece quando me acordam invadindo o quarto.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Delírio e sorte

Atravesso o saguão do hotel, e vou para o bar perto da piscina para tomar um café da manhã, apesar já ter passado das três da tarde. Como pão francês com ovos mexidos e um shot de tequila para me sentir mais humano. Fico tentando evitar o inevitável, porem o inevitável é sempre demasiado cedo. Pego o celular e ligo para meu amigo, o doutor R. para saber o que foi que aconteceu ontem, que de alguma forma, por defesa ou ataque, meu inconsciente me privava de reconhecer.- Alô. R? Sou eu. Sim estou vivo. O que foi que aconteceu ontem? - R com sua fala mansa de quem opera um tumor no cérebro, segurando um baseado em uma mão e um bisturi na outra começa a me contar uma historia de terror; - Pô, cara, você ontem estava muito bêbado, e muito chato. Ficou horas discursando um papo psicótico oligofrenico de que havia descoberto o sentido da vida e o segredo do universo. xingou alguns dos nossos amigo enquanto jogavam cartas. Depois subiu em cima da mesa, levantou e se auto-denominou o Papa erguendo uma garrafa de água mineral, que se bem entendi era o espírito santo. – Sei. Só isso? – Não. Depois você vomitou. – Huhumm. – Vomitou em cima dos peitos de uma mulher, que segundo você estava se insinuando e que não passava de uma réplica barata de uma tal de mulher azul, sei lá. Falou que ela era uma xérox em preto e branco, e que queria ser Maria mãe de Jesus, uma vez que a garrafa estava lá para ser enfiada na boceta dela. Que coisa. Não era nenhuma novidade mas essas notícias sempre me deixavam perplexo. – Você acha que eu estou ficando maluco, R? – Sei lá, mas preciso desligar que tem um paciente meu querendo cometer suicido com o filho de oito meses nos braços. – Ok , te vejo mais tarde na conferencia. – Ah, espere, tem também a noticia boa, ou você não lembra. – Não. –Você como um tipo de exultação de bêbado apostou mil reais em um jogo de dominó, e, o doutor F. atenuando os poderes do santo filósofo dos bêbados, Diógines, dobrou a aposta. E perdeu. Você ganhou dois mil reais em dinheiro, deve estar na sua carteira se você não os perdeu. Aproveita e investe na nossa pesquisa sobre ratos que emitem respostas motoras e fisiológicas ao som de Elvis. Agora tenho que ir, que já estou sentindo o cheiro de merda. – Ok . Tchau. Obrigado pela notícia boa.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Fase anal

Nesse instante, meu corpo é tomado por uma onda de terror, sinto meus dedos congelarem, e o curso de meu pensamento acelerar. Meu coração dispara quando não consigo reconhecer o lugar em que me encontro. Não estou no quarto do hotel, muito menos deitado em uma cama. Como se já não bastasse minha percepção temporal que agora era atemporal, minha percepção espacial também devia estar em outro lugar, pois só agora percebi que estava submerso, havia água em todos os lugares. Me encontrava deitado dentro de uma banheira. A verdadeira alma ainda estava bêbada, o corpo estava de ressaca, a paranóia se esperneia como um gato que leva um banho de água gelada e como um pendulo, minha cabeça é atirada para trás e minhas pernas se esticam quase flutuando. Água, elemento natural do jogo. Estava gelada. Preciso de um cigarro, ou melhor, preciso de um maço inteiro deles. Desespero. Sempre acreditei em lendas urbanas. Acredito no Dumbo, acredito na Sininho, acredito em espíritos de carga negativa que conversam com criancinhas com sangue de médium herdados por hereditariedade sob a forma materializada de um bonequinho indefeso. Acredito no bicho papão, nos três porquinhos e acredito em lendas urbanas. Especialmente aqueles de que mais temem os que bebem. Como, por exemplo, a que cu de bêbado não tem dono e a que depois do Revelion, ou do natal para os que não tem família, arrancam teus rins para vender no mercado negro e depois te jogam em uma banheira de gelo cheio de pontos e comprimidos e analgésicos. Anal – Ges – Icos. Hum... Lacan diria que estou fazendo uma representação lingüística para dar um search no inconsciente e através dele lembrar do que sonhei, ou que de fato aconteceu e eu achei que sonhava. Pois embora não me lembre de nada, agora tenho a recordação de ontem ter falado eloquentemente sobre cu, sobre aprender a dançar Jazz, e sobre a hipocrisia dos porcos e indulgentes no século quinze. Nesse momento, o pânico começa a diminuir como o crepúsculo de um dia ruim. Percebo que não obstante eu tenha acordado em um lugar inusitado, já não o é tão assustador, pois com a mente no lugar e o medo dentro da gaveta, posso discernir que essa não é uma banheira em um prostíbulo, ou na sala de atividades secreta da CIA, e sim a banheira do quarto de hotel duas estrelas e meia. Estou salvo. Apalpo os rins, e eles estão exatamente aonde deveriam estar. Que alívio. Saio da água como me sentindo igual ao homem elefante, completamente enrugado, com os cabelos pendendo sobre a cara disforme. Me enrolo em um roupão e vou atrás do cigarro que deixei na varanda e... Puz! Que cheiro terrível é este? Uma névoa pútrida paira sobre o quarto. Cheiro de merda de gato ou da merda de uma ninhada inteira de gatinhos mortos. Chego a dramática conclusão que o cheiro vem da cama. Mais precisamente de dentro de mim, para a cama, para o eflúvio dos ares que agora asfixiam qualquer olfato humano. Como se não bastasse o cheiro nauseabundo do jantar já em estado de putrefação, haviam pilhas enormes de guimbas de cigarro pelo chão, latas de cerveja vazias e um borrão. Livros espalhados por todo o canto molhados ou secos, um borrão indecifrável, que no escuro parecia a presença de um espírito maligno na parede. Deve ser a aura podre de Ramnsés segundo. Ta ai uma boa explicação para eu ter dormido na banheira. Vomitei enquanto dormia. Não sei tocar guitarra como Jimmy Hendrix, mas tenho a habilidade de não sufocar no próprio vomito enquanto estou a dormir. Deveria ganhar um premio por isso. Pego um maço de cigarro, a carteira e o telefone celular e sai do quarto de roupão para tomar um pouco de ar fresco. No corredor esbarro com a mulher da arrumação. Peço desculpas a ela, pelo episódio do dicionário e digo que hoje ficaria muito grato pela arrumação, que certamente lhe custaria seus últimos resquícios de humilhação e boa vontade para como os tipos peculiares como o meu. Não realmente me importo muito com o que ela vai pensar. Só quero que o quarto fique limpo, ou menos sujo. O borrão era assustador. Nunca fui de me incomodar muito com coisas sobrenaturais, mas aquilo era demais. Eu sou do tipo que nos três primeiros anos de vida me apeguei a fase anal, marcado pelo interesse e prazer de reter e expelir a fezes. O tipo anal pode pode ter seu prazer tanto concentrado em reter seus afetos, atos e pensamentos, como no expelir, expulsar abruptamente esses elementos psíquicos. Os traços de meu caráter obsessivo e compulsivo, a tendência a avareza, ao desejo de controlar a mim mesmo e aos outros, assim como tendências a fantasia e onipotência, são associados a esse perfil anal. De qualquer forma, a moça da arrumação que deve se uma boqueteira, do perfil oral, ou fálico e apesar de passiva, a esta altura deve estar pedindo demissão. Não poso fazer nada. Eu pago meus impostos.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Eu sou hipocondríaco



Depressão. Angustia. Neuroses. Psiconeuroses . Etiologias de doenças inexistentes para mentes menos evoluídas, e sendo assim, menos sofridas. (playboys, hippies, pseudo hippies, pseudo artistas, gostosas da praia) Estes sofrem, porém menos. Não tem o dom de sofrer. Não tem o dom de criar. Não tem o dom de tornar sofrimento em poesia. Não tem o dom de se sacrificar para evoluir. Seriam expulsos da tribo, se fossem nativos. Seriam artistas frustrados se fossem pintores. Van Gogh teria sido um deles se tivesse tido escolha. Van gogh teria certamente sido muito mais feliz se fosse a praia, escutasse Ferguie e andasse com a turma de desenho industrial. Mas não. Ele era Van Gogh, nasceu com o cérebro de Van gogh, e morreu sem vender nenhum quadro. Hoje em dia é fácil dizer que ele é muito bom, ou conceituado. Gostaria de saber quem estava lá para dar ouvidos a ele quando estava em crise. Certamente não seria o marchan que um belo dia veio a dizer com sua voz , aparentando uma sexualidade ambígua ; - Bebê, isso sim é arte. Pe-da-lem, meninas, agora que morreu todo fodido, van Gogh é tudo de bom. Foda-se. Queria ser como eles. Dane-se. Sintomas somáticos, dores no peito, capacidade de transformar diretamente excitação em angústia..Hipocondria, parafrenia, narcisismo, esquizofrenia e paranóia. Já se passaram dois dias desde meu último escrito. Descobri o sentido da vida, e logo na seqüência, cometi ums estultice. Fui comemorar. Liguei para outros médicos que também vieram para a conferencia. Fizemos uma mesa de jogo enorme. Apostamos dinheiro, bebemos gin, fumamos maconha, alguns cheiraram cocaína, outros treparam no banheiro e nada de importante foi conversado. Desperdicei vilmente através de gestos obscenos e abjetos tudo o que fiz tanta questão de aprender durante cinco anos de faculdade de psicologia e mais dez de medicina. Não fiz sexo. Sexo. Isso é muito relativo. Meu sexo, eu suponho, deve ser diferente da maioria. Por exemplo, faço sexo enquanto estou a me olhar no espelho, dando o nó em minha gravata. Faço sexo enquanto estou a pentear o cabelo. Faço sexo quando penso, será que uso a calça vermelha, ou a gravata azul? Faço sexo pelo telefone também quando ligo para o 102 e peço o telefone de uma pizzaria, e por sua vez o faço de novo quando peço uma pizza bem oleosa de marguerita ou calabresa. O som da voz é sensual, e o desejo é perverso. Faço um pedido e logo ele se torna uma ordem, como o desejo de qualquer perverso. É certo de que esse meu fetiche narcísico, já é sabido que leva a loucura. Como no caso de Schreber ( que quando assumiu seus deveres de senatsprasident em Cheminitz, passou a sofrer de delírios alucinatórios devido a excessiva tensão mental e então, ele se auto denominou a mulher de deus). Um delírio tanto insólito, quanto criativo. Foi diagnosticado por Bleuler como demência precoce, e mais tarde por Freud de parafrenia ou esquizofrenia, tais eventos tiveram como subjacente as catexias objetais introjetadas, muito semelhante ao meu conceito de relação sexual. Porem se eu estou sofrendo de demência precoce, ou quem sabe até mesmo demência senil, não realmente me importa, melhor do que cheirar pó e trepar no banheiro como aqueles porcos imundos e morrer de ataques isquêmicos cerebrais, mais conhecidos como avc, hemorragia cerebral, aneurisma, Cífilis, Aids, hepatite A, B, C. Hipocondríaco, narcisico, perverso, neurótico. Eu sei que eu sou. Resumindo. Não fiz sexo, lembro de ter feito inimigos, e que vomitei.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Jabulani (letra)

Nem o seu deus, nem o diabo
podem fazer ela voltar
ensaboada e escorregadia essa coisinha fofinha
fez muito homem chorar.

Ela seduz os jogadores
com seus beijinhos feito Maradona
mas então vem e você leva o frango
e o país inteiro quer que você morra.

Foi sublime
em uma tarde sinistra, eu olhei para ela
ela mirou em mim
Jabulani
obsessiva paixão
Jabulani
escapuliu da minha mão.


Confiram o vídeo. http://www.youtube.com/watch?v=65JIXhnMd28

terça-feira, 29 de junho de 2010

Oblivio

video


Vídeo caseiro que fiz com imagens do livro "Visions of heaven and hell" de Clive Barker.
Clive Barker é autor de vários livros do gênero terror e fantasia. Muitos de seus livros tornaram-se roteiros de cinema como Candy man e O mestre das ilusões. Sua grande obra Hellraiser foi dirigida pelo próprio. Barker também já atuou em peças de teatros e pintou centenas de telas, como essas que vemos aqui. Sua pinturas ilustram as imagens que concebe em seus romances.
Quem estiver interessado em sua literatura eu recomendo o livro "Sacramento".

Auto biográfico Pt2


De pé agora, porém com a mente dispersa, vou para a janela fumar um cigarro. Arremessando do décimo nono andar, pequenos objetos fálicos, como canetas, talheres de plástico e outras porcarias que só um indigente carregaria consigo ao longo de uma viagem de trabalho. Fico pensando no verdadeiro motivo de eu estar aqui. Não consigo me lembrar. O importante, é que devido a esse esquecimento, levanto uma questão filosófica deveras mais importante; Não era primordial saber o porque de estar fazendo essa viagem, mas sim de questionar como foi que cheguei até aqui. Os eventos matinais realmente deixaram minha cabeça e todas as quarenta e quatro áreas do meu cérebro pensativos; por exemplo, será que quando o Bebê Papa nasce, ele já sabe que vai ser Papa um dia? Seria Hitler realmente culpado? Antes de morrer, teria Jimmy Hendrix pensado; meu deus, isso entalado em minha garganta que me asfixia é o meu jantar? Peter Pan comeu ou não comeu o cu da Sininho? E se comeu, será que vinha gliter com cheiro nauseabundo no seu pau? Pinóquio toma viagra? Enfim, questões que por mais levianas que possam ser, nunca obterão respostas, e sendo assim, podemos afirmar com o dedo apontado para cima como César , que sim, somos seres limitados. De tão limitado que sou, só parei hoje, aos meus trinta e dois anos de idade para questionar a razão da minha existência. É certo, que segundo a teria de Charles Robert Darwin nós evoluímos, adaptamos nossas faculdades cognitivas e sofremos alterações biológicas relativas ao meio para não morrermos de fome e em conseqüência disso, girafas ficam com o pescoço maior, homens se tornam arquitetos ou psicopatas, mulheres ficam mais gostosas e baratas se tornam imunes à detetizadores da marca Sendas. É impressionante, mas acho que acabo de adentrar nos mistérios do ciclo da vida. A verdade das verdades, e não foi nem preciso estar bêbado para isso. De dentro do útero, descobri o amor, sai de dentro de uma vagina para me tornar psicólogo. Descobri o amor da minha vida para me tornar um homem e de homem virei o Papa e termino em uma churrascaria. Seria este o sentido da vida? Se tornar o soberano dos soberanos? Degustar, desfastiar-se dos animais mais saborosos e suculentos do mundo, já mortos, limpos, grelhdos ,temperados com sal grosso e molho vinagrete, sem precisar mover um músculo, por apenas R$ 12,99. Ao mesnos do lado esquerdo do mundo poderia ser este o sentido da vida. Já pensou? Abram alas pois eu sou o Papa. Minha bengala fálica é o maior pau do mundo, meu peido é ambrósia e a minha palavra é divina. Estou emocionado, acontece aquela coisa de que agora esqueci o nome, quando sai água dos olhos. Lindo (...) Ta certo, que não sei se o verdadeiro Jesus ficaria satisfeito com isso. Posso até imaginar ele no céu bebendo cerveja quente e comendo uma pizza fria, xingando junto com Santos Dumont, Isack Newtom e René Descartes;- O que é que esse filho da puta está pensando?! Alguém mande um mensageiro terrestre acabar com esse herege, esse farsante! E são pedro dizendo; - Mas jesus, acabou o cartão, e em país provinciano, não se aceita ligação à cobrar. – Vai tomá no cu, o são Pedro! E Maria, puta que me pariu! A cerveja ta choca e a pizza ta fria, conserta essa porra desse forno! De canto, podemos ver Descartes cochichando com Santo Agostinho: - Falei que esse negócio de humildade, de últimos serão os primeiros não iria dar certo, a pizza vem sempre fria. E todos concordam com um murmurinho. – Vê se lá no inferno o ar condicionado não ta no máximo, e tem uma tina transbordando de gelo, de wisky com red bull , martini com cerejinha, a porra toda! –E como se faz parachegar lá? Pergunta o ingênuo e singelo Santo Agostinho. –É simples, ta vendo aquela gostosa ali que parece até a filha do rei que eu... Jesus acende um clarão e fica puto – O descartes! Vai se fode!, Se esqueceu que aqui no céu eu sou onipresente, que eu escuto tudo. – Desculpa senhor. – Cala a boca seu metodologista de merda, senão eu mando um fanático da igreja renascer, ou da universal vim aqui e te esfaquiar como fizeram comigo e como deveriam ter feito com aquele psicólogo filho da puta. Todos ficam quietos. Nesse momento Ayrton sena chega atrasado e eles se preparam para mais uma emocionante partida de cartas valendo uma cerveja choca. Depois da décima cerveja, Jesus, todos sabem, já não fica tão onipresente assim, e ainda por cima some, não se sabe por que, dizem as más línguas sobre uma área vip no céu, mas isso não é comprovado. É nesse momento que Descartes chama Agostinho no canto e fala; - Agostinho, o inferno é a parada. Agostinho estranha. Mas Descartes (bêbado) atropela; - Todos os filósofos estão lá, Platão, Sócrates, Nietszche. Tudo quanto é tipo de gente famosa, Calígula, Gengis Kah, Picasso, Salvaro Dalí. Todos os músicos de Celine Dion à Frank Sinatra. – Mas a Celine Dion ainda não morreu! – Não importa, mas ela volta e meia bate ponto lá. Não é preciso estar morto para se estar no inferno. Foram as sábias palavras de Descartes e as que persuadiram o antigo santo ( que bebia vinho sangue de boi, péssimo para um santo).. Mas isso fica para outro capítulo. De volta à terra, trancado sozinho no quarto de um hotel barato, uma cena que só um ser onipresente poderia ver mesmo. Um homem chorando emocionado por que descobriu o sentido da vida, descobriu o que é o amor e que os santos também pecam.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

A mulher azul

Ok. Um cafézinho, uma garrafa de tequila com quatro copinhos, dois do metrô de Nova York, dois com as esfinges do Cairo, dezesseis cervejas New Castle um elefante com os tônus musculares entumecidos por exercícios de pompoarismo masculino e um coma induzido. O sonho é ótimo, a queda é constante. Vejo enormes seios descomunais que me afagam e me sufocam como um bebê que sofre de doenças congênitas, e que com certeza vai nascer com distúrbios de atenção e de memória. Tudo lindo. Eu sou o bebê. Eu sou o bebê, e eu quero o que me pertence, quero os meus peitões. Um bebê indefeso nos braços da moça mais linda. Um bebê que flutua no ar azul da depressão pós-parto. Dizem que se chama depressão azul. E sou um bebê que ama a mulher azul, a mulher magra com os peitos enormes, os cabelos curtos e negros, a pele branca. A mulher azul. Ah, como eu amo a mulher azul. Desculpe mãe, mas você vai ter que morrer, pois no meu coração recém nascido, só existe lugar para a mulher azul. Nós vivemos um caso de amor, eu chupando o peito dela, alimentando meu corpo e a minha mente sequelada, ela descobrindo os dotes de ser mãe, de ser mulher, de ser capaz de cuidar, proteger e ser amada.é claro que aonde existe uma relação dual, tão perfeita quanto essa, sempre haverá um recalcado, um complexo de Édipo para atrapalhar, um monstro. Mais precisamente chamado de bicho papão. Ele mora debaixo da cama, é e assustador, gordo e grande, a pele esverdeada e grudenta, com sua risada maléfica e sinistra. Sergio , o mostro glutão que quer comer todos os bebês. Mas a mulher azul me protege como uma vez eu a protegi do mesmo monstro. Não que ele seja um monstro mal. Diferente de Tibério Nero Cezar, imperador romano, sucessor de Augusto que também tinha o hábito de foder bebês recém-nascidos e depois jogá-los arrebentados em uma lata de lixo. O monstro contemporâneo tem bom coração e é altruísta quando pode, porém a seleção da espécie Darwiniana fez com que sua alimentação fosse à base de bebês para que ele (Criatura única de sua espécie) pudesse sobreviver. Houve a ocasião em que a mulher peitão azul, foi descuidada, e ele me encontrou. Agarrou-me nas pontas de suas unhas enormes com cheiro de bunda de bebê ainda reminiscente, e passou sua vista envidraçada por meu corpo de ratinho, seus óculos embaçados de tanta excitação, o cheiro de criança. Fui examinado como um boi no canal rural (sábado 22;22 Pm) e logo na seqüência atirado de novo ao berço com desdenho. Em seguida, ouvi sua risada de monstro com cheiro de enxofre misturado com maconha saindo pelas narinas, e sua vos dissonante dizendo com pouca distinção; - Esse bebê não é dos meus. E logo na seqüência; - Quero um bebe loirinho com a bundinha bem empinadinha. Com muito alívio, e poucas palavras, consegui pensar comigo mesmo, felizmente, não são todos os bebês que apetecem ao gosto do bicho papão. Agora finalmente posso voltar para ela. Que está a minha espera em sua cama. Este pensamento, faz com que a pequena protuberância que um bebê de seis meses com eu tem entre as pernas, se torne em um enorme e viscoso falo de homem. Como um corpo que flutua, ou como o éter que faz dançar eu pairo sobre o requinte dos requintes e quando ela, ao perceber minhas intenções de homem sobre a pele de criança, responde abrindo a perna. É uma sensação inexplicável para os sentidos. Especialmente para o olfato e a visão. Vejo uma planta carnívora abrindo suas mandíbulas e eu como uma mosca que come merda e não vê a hora de morrer me entrego ao caos. A boca negra do espaço vazio, aquele que deu a origem ao mundo, aquele que os do oriente próximo chamariam de flor de Lótus, e que o do ocidente chamaria de coisa ruim. A boceta, o pecado, o gozo escarlate da mulher azul, a passagem consciente de criança para homem, de mãe para amante, a criança amante e a mãe homem, a mulher que em outra vida foi homem, o homem que em outra vida foi cachorro. O número quatro. O número da perfeição. O número de apoios de um cão. O número mais que bom para uma noite de muito prazer comendo comida japonesa. O número anterior ao cinco (Hierofante) o Número do dia em que o bebê virou garoto, e o garoto virou homem. Na seqüência linear; 4/5/6. Sinto a sensação brutal do prazer, lembro da história do homem que falava com o cú, sinto os espinhos das suas costelas, e o desejo de dizer à mulher azul, algo que custou os primeiros cinco meses de vida do bebe para serem ditos; Eu te am....... – ARRUMAÇÃO! Arrumação? Arrumação!? E o cachorro de cinco centímetros volta a latir, e os carros voltam a passar, e o pássaros voltam a cagar e vejo o amor da minha vida se esvair pelos meus braços batendo com raiva e força as portas do meu inconsciente se fechando. Acho que ela nem gozou...ficou puta, ou no mínimo chateada. Eu também ficaria. A megalocéfala, oligofrênica moderada da arrumadeira interpreta o meu silêncio prostrado como um ok, e saca o chaveiro para invadir o quarto. Seleciono o livro mais pesado ao alcance das minhas mão fracas ainda pela vigília, e ao ver seu rosto desfigurado brotando como erva daninha indesejada, arremesso com tudo o manuscrito que leva o nome de Aurélio em cima dela, que responde a agressão com um berro de espanto e indignação. – Vai se foder você, sua puta! Ficar destruindo os sonhos dos outros. Já não basta eu que vivo me sabotando e me auto destruindo, vem vocês dessa porra de serviço de hotel estragar um dos melhores momentos da minha vida. Chama a porra do gerente. O Papa teria feito o mesmo. O telefone toca. Mas esta é uma das velhas manobras que aprendi muito cedo, nos tempos em que ouvia o som de Tim Maia. Basta tira-lo do gancho, e como uma mente psicótica, imaginar que seja lá quem quer falar o que com você, já não existe mais. Simples assim, afinal das contas, dentro de um hotel duas estrelas e meia, dentro de uma churrascaria ou de uma sauna gay ( embora eu ainda não tenha estado em uma) não é preciso nem ter a mente próxima aos estados pródromos que antecedem a psicose para se sentir o papa.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Auto biográfico Pt1


Aurora. Pássaros cantando, cachorros latindo, carros na avenida, quarto de hotel, número 1901, Porto alegre. Camareiras histéricas batendo de porta em porta perguntado – Arrumação? Algumas muitas pessoas se consideram mais aptas a trabalhar de dia, dizem que se sentem mais produtivas, no entanto, temos de concordar que isso é uma mentira tão falsa como vídeos de autópsias de E.T liberados pela cia. A única coisa que de fato, é mais produtiva de manhã, é o sexo. Se este for praticado por casais que já estão juntos à muitos anos e querem tentar coisas inovadoras como empalar o seu, ou sua parceira em um plano totalmente pragmático, limitado, real e matinal, poucos minutos após deixar o surrealistico mundo onírico das fantasias e dos desejos aonde como sabemos, tudo é possível. Acho que já deu para entender o meu ponto, eu odeio acordar, e muito menos ser acordado. E é por isso que com a mais doce ressonância de minha voz estridente eu lanço pelos ares um sutil Vai à merda quando a histriônica pergunta pela décima vez, arrumação. Não sou arrumado, nunca fui. Arrumado, organizado, planejado, executado, informado. Nunca fui ou obtive nenhum desses adjetivos, embora eu tenha tentado uma vez aos vinte anos, quando entrei para a faculdade de administração. Não durou nem um semestre. Não sou arrumado, não gosto de quem é organizado, não gosto de acordar e faço de tudo para esquecer o passado. Mais precisamente o que aconteceu ontem, ou para quem estou ligando nesse momento, que me esqueço o nome e sou obrigado a desligar na cara quando diz alô. A esse problema, eu sei, o neurologista chamaria de amnésia retrógrada. Causada pelo uso de longa data de psicoativos, misturados com álcool, internet e longas viagens de trem e avião ( ver viagem a Aswaan) . O outro tipo de amnésia, a anterógrada, eu esqueci. É certo que minha cabeça não funciona muito bem, sofro ilusões mnêmicas, acrescento elementos falsos aos verdadeiros, invento elementos falsos que nunca existiram, alucino quando sofro rebaixamentos de consciência, já estive em um coma induzido por anestésicos de elefantes. Quando não me lembro de nada elaboro confabulações magníficas que fariam Freud querer escrever a interpretação dos sonhos volume dois. Vivo novas descobertas todos os dias acreditando viver em primeira pessoa coisas que vi em terceira pessoa, como um filme, um livro, ou uma idéia emprestada de um amigo. Criptomnésias, ecmnésias , lembranças obscessivas, tabus, amuletos e drogas, tudo aqui, mal arrumado e desorganizado em meu cérebro ramificados em diferentes áreas que os estudos da frenologia poderiam ramificar por números. As áreas 18 e 19 são as secundárias da visão. A 34 é a do pau.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Sem título

Lançamos o Nero na internet este último sábado e até agora já obtivemos uma resposta muito agradável de nossos fans e do público de um modo geral. É gratificante perceber que todos estes anos de trabalho foram bem aproveitados para o amadurecimento inconsciente e coletivo da banda. Cada lagrima cada gota de sangue gerada por palavras ditas não foram em vão. Nesse três últimos anos eu sofri muito. Tive de viver um renascimento prematuro, largar e voltar e largar de novo alguns dos meus antigos vícios, para em fim, poder hoje olhar para trás e perceber que para enxergara sí próprio, é necessário ser outra pessoa. São todas as ações e regenerações da natureza de um ser em permanente estado de transformação. O resultado é o denominador comum entre o vício e a virtude...
e a minha solidão, minhas inseguranças, minha angústia e a sensação de que no final sempre vai dar tudo errado.
Fico ao menos contente em conjecturar que toda essa paranóia possa ser configurada em arte, e servir de inspiração para outros, que assim como eu, seguem em frente sem ter muitas perspectiva do dia de amanhã, nós simplesmente continuamos seguindo em frente.
Agora eu tenho que ir...

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Nero (Release)


Release Nero

Terceiro cd da banda tem como a sua principal temática a estrutura designada por Freud de perversão. Diferente do neurótico ou psicótico o perverso é aquele indivíduo que não reconhece limites da lei, do corpo e os prazeres da carne. Nero, imperador de Roma no sec. 1, reconhecido por seus atos exóticos, excessivos e tirânicos é colocado no altar como um arquétipo que representa todos os atos de compulsão e impulsão na alma humana. Em meio a um cenário atemporal e bucólico que remete a uma versão moderna e sonora da divina comédia de Dante, garotos dançam com a marca da besta celebrando todas as múltiplas formas de perversão; Mazoquismo, exibicionismo, amor, suicídio, voyerismo, sadismo, bestialidade, poesia e parafiiías de todas as formas.
Repleto de citações de Marques de Sade, Willianm S. Burroughs e outros filósofos da linguagem perversa, Nero ressuscita e se sai de dentro de todos nós toda vez que experimentamos a indizível sensação de abuso de poder, a corrupção de nossa própria inoscência em uma metamorfose que, semelhante a da borboleta, nos elevamos de um ser rastejante a uma maravilha da natureza.
Produzido por Stanley Soares (sepultura; Dante XXI e Alex) o estilo Trash Metal mescla poesia de uma mente desiludida com ritimos eletrônicos (industrial) e muitas vezes uma pegada que remete ao Rap. Esse sincretismo configura a trilha sonora de um apocalipse não muito distante que traz umas das figuras mais irreverentes e polemicas de nossa história, de volta ao nosso mundo. Nero o imperador mais odiado, filho daquela piranha!

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Evolução, sexo e culpa


Mais um mistério de nossa raça humana acaba de ser dissolvido, comprovando que o futuro é idêntico ao passado. Os homo sapiens ( seres humanos modernos e bohemios na faixa dos seus trinta anos e desempregados) e os neanderthalensis ( o bêbado da família) se acasalaram na mais doce embriagues. Visto que deveria agir sempre, a natureza, que bancai a puta - gostos antinaturais. Negligente e cruel o homem perpetua a espécie baseada em cruzas familiares de genes recessivos, incesto com seus primos de segundo grau, e metamorfoses. Kafka?
Originalmente da África, migrando para a Europa, deportados para a Ásia nossos ancestrais libertinos descobriram o fogo, adoraram ícones sagrados dançaram e beberam vinho a noite inteira. Em um momento de estupor ou romantismo foderam a própria mãe. Terminada a festa, a fogueira se apagou com o mijo, a Jocasta se embebedou de esperma, e no clarear do dia deu-se a luz a culpa. Desse aurora em diante, o que havia sobrado de macaco no ... se tornou definitivamente humano. Foi a culpa! Somente a culpa poderia gerar uma consciência mais sofisticada em uma raça em constante desenvolvimento. No mundo da selva, tudo é permitido, inclusive foder a própria mãe. Desde o dia em que o ... sentiu a culpa, o incesto foi e é considerado um crime sem precedências.
Sei lá se foi Kurt Kobain ou Charles Darwin, mas foi proscrito por um desses cientistas que a natureza é uma cadela. "Temos evidências muito fortes de que houve fluxo gênico do Homo sapiens para o homo neandertalensis" declarou a revista Science hoje.
Gregor em "A metamorfose" deixa evidente os desejos sexuais que sentia por sua irmã e é nítido que sentia ciúmes do pai. Mas como ele era uma barata, foi obstinado a se masturbar com seus brinquedos até os últimos dias de sua triste e resignada existência.
É mórbido pensar que todos nós somos baratas latentes. Quero dizer, quem um dia pensou que o homo sapiens e o homo neanderthalensis lá no maior rock?
Literatura, incesto, neurociências, insetos, ejaculação precoce. Coisas que nunca saberemos ao certo. Seja como for, o DNA herdado dos neandertais parece não ter nada em especial. Somente a culpa. Sentimento que antecede o pecado, que antecede Deus que antecede o homem.
Comprovando, mais uma vez, que o futuro foi e sempre será igual ao passado.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Sinfonia para Golgota (letra)



Richard Wagner




Terra, industrial
com plataformas de mármore
dizem, que lá tem anjos
e eu quero a minha alma também.
Chama, azul escura
e as garotas da fábrica.

Roma, siderúrgica
vade retro a Satanás.
Dizem, que lá tem torres
e pirâmides e fendas metálicas.

Ânima ânima animale
Febrecito Sterium Argetum
Ânima ânima animale
Febrecito Sterium Argetum

Sinto muito ter que te dizer...
sinto muito ter que te falar...
mas... para mim tudo bem.
Sinto muito ter que te comer...
sinto muito ter que te falar...
abuse de mim também.

Ânima ânima animale
Febrecito Sterium Argetum
Ânima ânima animale
Febrecito Sterium Argetum

Terra, do sol escuro
com suas fadas metálicas
dizem, que lá tem varias
e eu quero a minha também.
Sonho com um anjo
que poderá me tirar daqui...

Animale, Animale, Animale, Animale.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

A morte do Punk Rocker

Um dos bastardos ao lado soltou um uivo de frustração.
Não tenho permissão para dar conselhos. Quando se fala de conselhos penso em Malcolm McLarem, o empresário inglês que em plena maturidade ideológica ou comercial popularizou o Punk nos anos 70. A monarquia não gostava nem um pouco de loucura, muito menos a loucura de McLarem, seu movimento desabrochou como uma flor exótica. Tudo começou com os Sex Pistols. O grupo de dementes estourou no reino unido dando início a um novo movimento cultural num amanhecer sombrio e cinzento. Alem de ser consagrado como produtor, McLarem também aproveitou para divulgar a sua loja Sex em Londres.
De qualquer forma, a contradição viva entre a nostalgia da monarquia e a realidade nunca se mostrou tão claramente como durante aquela década em que o punk era articulado como comportamento pop. Agentes de inquisição, cléricos, sacerdotes de deus. Geração K, geração X, estava em minha cama e de repente vi meu amigo já falecido ali parado em um canto envolto em uma aura acizentada. foi estranho. Mas logo ele desapareceu. Tenho esse tipo de visões o tempo todo. Dizem que os iniciados tem as respostas para todas as perguntas nos sonhos. Mitologia, magia negra? Malcom McLarem morreu ontem aos 64 anos de idade de câncer em Noya York.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Nero (letra)



Doutro se fosse a volúpia da sua filha violada no império romano?
me diga o que você faria no apocalipse de são João?
Mitologia, magia negra, eu nunca disse que seria fácil
se deleita no império com um banho de moscas
e dá a luz a uma ninhada de ratos.

Eu abracei aquela velha causa macabra, igual ao velho que tomava cachaça
que cometeu um erro médico e estuprou a filha viciada
em livros de Kafka.

Nero!
E seu delírio megalomaníaco
vivisecção!
O dia inteiro, o dia inteiro
em manicômios e conventos e prisões
Perverso!
O imperador mais odiado, filho daquela piranha!
Piranha!
Em nome di patre, de filho, avete cezare imperatore.

Doutor se fosse o cu da sua mãe sendo chupado o dia inteiro?
Me diga o que você faria no apocalipse de São João?
O imperador tem a palavra sagrada e está fazendo apologia ao crime
e carrega no seu sangue os genes recessivos de Caligula e outros regimes.

Eu abracei aquela velha causa macabra, igual ao padre que alisava crianças
que fazia confissões e portava na bíblia o dinheiro que ficou na alfândega.

Nero!
E seu delírio megalomaníaco
vivisecção!
O dia inteiro, o dia inteiro
em manicomios e conventos e prisões
Perverso!
O imperador mais odiado, filho daquela piranha!
Piranha!
Em nome di patre, de filho, avete cezare imperatore

Em um império aonde eu não vejo mais salvação
abram as portas para o fogo
e deixem os inocentes queimarem!

Crespæusculo (letra)

Mutilações indizíveis ao espírito
angusta me aperta ate sufocar
as camas estão sujas
de sangue e de vinho
é o crepúsculo de um novo dia
e eu sei que eu não vou levantar.

Imagens caiem
como neve...
eu vou para o bar, mas não posso falar
tinha uma menina
do outro lado da rua
é o eterno inverno
não deixa eu me aproximar.

Acenda uma vela, que eu quero enxergar
mas o pecado do meu lado e eu não vou me rebaixar
deitado na minha cama, 300 miligramas
olho para o crucifixo, começo a rezar
deitado o dia inteiro
em estádio de espelho, mas eu não me arrependo
deitado na minha cama 300 miligramas
olho para o crucifixo começo a rezar.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Eu não entendo nada de política

Somos todos eleitores. Dilma roussef (PT) tinha doze anos quando percebeu que sua mãe não a excitava e desde então não teve mais como conter sua peculiar grosseria. Foram realizados 52 discursos público. José Serra (PSDB) com seu poder de síntese imaginativa oprimida, tem a alma de um lobo. A terceira é Marina Silva (PV) a qual as palavras gelariam o sangue de toda a sua juventude. Os principais concorrentes ao planalto iniciam suas campanhas de expedições vikings oficialmente em julho. A teoria do estádio de espelho desenvolvida por Lacan nos permite compreender a relação transferencial; É evidente; Dilma ama Lula e Serra queria ser FHC. nos deparamos mais uma vez com a dinamica simbólico/imaginário. O eu ideal e o ideal do eu.
A ex-ministra falou 96 vezes a palavra presidente (Lula)- vontade de beijar carniça, barreiras entre o real e o imaginário. Sim, é verdade, a mulher se torna mais bela quando é desejada por outro homem. Seria o caso de Dilma? Penumbra e mistério. Serra que não é um cara mau, mas insiste em ser político mencionou apenas quatro vezes o nome FHC. Sem lavagem cerebral ou os ossos moídos citou, estremecendo com deleite voluptuoso, 263 vezes o nome da cidade em que governou; São Paulo.
A avaliação foi feita em cima de 32 discursos de Serra, 13 de Dilma e 7 de Marina. No caso a pré candidata do PV através de seus telescópios feitos de vidro de Veneza, tem no foco de sua campanha as obras do PAC - um erro sem o qual não conseguimos viver.
O primeiro passo ao aprender a andar é entender que quem não obedece a si mesmo é regido pelos outros.

Cabeza de Vaca (letra)

E eu estou me sentindo tão bem...
parece até que eu nasci de novo.
O inferno era liso e frio como o mármore.

Tinha
gosto de urina,
mas não podia perder e nem deixar passar
o meu desejo de te conhecer.
Me diga, se voce não faria?
afinal das contas o que seria dessa vida
sem um pouco de prazer.

Eu errei
sei que errei nas escolhas e cometi uns excessos
em lugares não apropriados.
Caralho, circuncidado
responsável como um anjo pornográfico, minha auréola
de arame farpado.

São meus aliados
Yo vejo las putas que te encuestam na cerca
porque tengo una cabeza de Vaca
E é inevitável
me gusta o que vejo pero soy inperfeito
porque tengo una cabeza de Vaca

O desamparo está fazendo voce se mover
o desamparo está fazendo voce se mover
o desamparo está fazendo voce Nero
pegue o cordeiro agora que mataram pra voce.

Imundo
banheiro público, com a cabeça raspada
e um espelho quebrado, eu vejo um rosto
translúcido.
Um crustáceo
Neurose de ácido
piscina negra eu me jogo até o fundo com cuidado
para não morrer afogado.

São meus aliados
yo voy ao trabaho fumando marihuana
por que tengo una cabeza de Vaca
E é inevitável
me gusta mucho mucho mucho mais
pero tengo una cabeza de Vaca

Por sete dias, sete noites, porre de vinho, pesadelo
olho vermelho, banheiro público, anjos caídos, erva lúgubre.

Principio vital (letra)

Do incesto e do crime
surge por sua natureza uma estrela
mãe de todas as prostitutas e de todos os perversos dessa terra.
O seu filho
uma obra prima da natureza regozijava-se
em um ecstase sobrenatural
pois ele sabia que a vida seria uma eterna paixão
dionisíaca.

As flores do mal iluminavam de neon vermelho os corpos dos jovens
que se entregavam aos inúmeros prazeres e torturas
dos templos romanos.
O eclipse escurecia o dia
e os teus olhos estavam cheios de lagrimas
quanto tempo mais para entendermos, que eu e voce
não somos nada.

Por mais que eu tente alcançar o prazer primitivo-perverso um orgasmo sombrio
principio vital, prazer e tortura a dor e o sexo
em uma conjuntura.
Eu olhei para frente e vi que nada ia mudar
eu me tornei uma adaptação
irreversível
e inclinada a se acabar.

quarta-feira, 24 de março de 2010