Fui tomado ontem a noite por um assombro enorme que contagiou a tudo em minha volta. Estava eu a selecionar umas velhas fitas de vídeos, e acabei encontrando mais material do que eu julgo ser possível assistir. Um jovem com um martelo esmaga a cabeça da namorada ciumenta. Adolescentes resignados em sua juventude plástica picando gatinhos. Um por do sol agressivo e o enviado das trevas a me perseguir.
Eram fitas velhas e desconexas, que eu julgava estarem totalmente mofadas ou destruídas pelo tempo, mas não. E ontem a noite eu tive o desprazer nostálgico de, mais uma vez, me deparar intensamente com o passado. Primeiro de tudo, não preciso nem mencionar o Anjo Negro. Aquele que desde o dia em que veio me visitar pela primeira vez, se instalou em minha alma, viveu a minha vida e morou na minha casa. Ele pode ser visto na maioria das filmagens. Discretamente, languidamente. Pelos cantos dos enquadramentos. Mas sempre lá. São muitas informações. A um vórtice no tempo e um buraco nas trevas. Eu fui tragado pelos dois.
Parei a fita. Desci as escadas e peguei uma garrafa de vinho. Vai ser necessário uma ou duas dessas para suportar essa estranha viagem ao passado. Essa insólita volta aquele período tão desagradável que é a adolescência. Insuportável pensar no que eu já fui um dia. Um adolescente sórdido com espinhas na cara, maneirismos estereotipados de fala, e uma máscara de insegurança estampada no rosto. Uma enorme máscara de carnaval com plumas de pavão escrito em neon azul; " Eu sou uma colcha de retalhos! Eu sou inseguro, sou volúvel como uma borboleta. Eu não sou nada, eu não sou ninguém". E logo na sequência tem uma imagem minha com quinze anos dizendo; " Enterrem meus órgãos no quintal". O que eu estava dizendo?
É estranho. Eu fui o último dos meus amigos a beijar, mas deveria, na verdade ter sido o último dos meus amigos a transar. Coisa que não aconteceu. E atribuo a e pular de fases, muitos dos meus infotunios e complexos na vida sexual. É estranho mergulhar no passado. Alguém tem uma ácido derretendo entre os dentes. Pequenos adolescentes com os olhos vidrados coversam frenéticamente enquanto fuma pilhas de maços de cigarros e as ovas dos peixes amassadas deixando os dedos amarelos e com um cheiro bolorento que vem da merda grudada no tênis. " Porra. eu pisei no coco do cachorro" diz alguém e os olhos vidrados da juventude transviada se voltam para a escuridão.
Nesse ponto novamente parei a fita. Um pouco nova demais aquela meninice toda com todas aquelas substâncias escorrendo pela superfície do rosto. Garotos de doze anos se bulinando e fumando maconha em um baile de fantasias improvisado na garagem. Um sapo, um aventureiro do bairro proibido, um vaqueiro e um Mc de funk. Totalmente transfigurados os rostos aparentam traços de metamorfose, insegurança, transubstanciação e homosexualidade. Mas como já diria Freud; " Todos os seres humanos até os doze anos de idade é potencialmente bissexual. Levando em conta que filmagem a molecada tinha exatamente doze anos, posso dizer que essa foi na trave. Cada moleque, um pendurado em cima do outro, bebendo, vomitando, dançando e insinuando coreografias que poderiam muito bem sugerir um ato sexual. ( para os especialistas). Mulheres? não havia nenhuma. Não. Elas eram boas de mais para a gente. Especialmente para mim. Porra. Entrar em contato com esse filme infernal, apalpei as mãos nas costas e senti a raiz das asas negras que fui forçado a arrancar na adolescência. Relembrei em 5.0 Hd o sofrimento que foi ter a minha juventude perdida, ver as portas do paraiso se fechando por causa das mulheres. Eu fui totalmente desprezado pelo sexo feminino em minha mocidade. O neon que eu carregava em minha aura avermelhada dizia em letras maiúsculas; " Ele nunca beijou na boca". De fato isso demorou para acontecer. E quando aconteceu, foi com uma mulher três vezes a minha idade e três vezes o meu peso. Que deus a tenha pois eu sei que ela morreu Sofreu um acidente. Houve muita baba e muitas mentiras nesse dia, pois eu disse que tinha uma namorada. Não sei por que menti. Talvez por que ela era muito feia e eu não queria repetir a experiência.
Ser adolescente foi terrível mesmo. Vejo moleques de quinze anos andando de bicicleta na rua, acompanhados de suas namoradas queimadas de sol e me pergunto se eu tivesse sido um deles, como seria minha vida hoje? No meu caso, não houve muita resistência. Desde cedo percebi que minha mocidade estava resignada ao desamparo e frustração. Não precisei ter um olho clínico para me olhando identificar que eu era um daqueles que possui a marca. A marca dos errantes. A marca lembrava uma cicatriz. E mesmo constantemente rejeitado pelas mulheres e posteriormente rejeitado pelos amigos eu ficava parado de frente para o espelho a contemplar minha marca de Caim. No meu íntimo eu sabia que aquilo tudo era apenas uma fase, e que em breve tudo iria mudar. Eu iria me tornar um homem. Um homem que possuia a marca no rosto. A marca que mais lembrava uma cicatriz, um corte.
O vídeo me fez lembrar de coisas que não aconteceram nunca, e eu fiz questão de esquecer tudo. A luz parece escura e a escuridão se fez tão clara. Parei de assistir a fita no momento em que começaram os caseiros filmes de terror. " A anatomia do terror". "A psicologia do medo". " O fracasso em tentar ser como os demais". Fui acometido por tantas que isso renderia até um outro post. Nesse momento, vou abrir outra garrafa de vinho, aquela que tem um capeta estampado no rótulo e continuar minha jornada lunar de encontro as trevas do passado.
sábado, 5 de novembro de 2011
terça-feira, 18 de outubro de 2011
Show do Sepultura, Andreas, Derick e outros monstros bíblicos
Maldita estava fazendo apresentações pelos bares do sul (aonde as mulheres são mortas como criaturas inúteis ao mundo quando ultrapassam a idade de procriar) quando ficamos sabendo que o Sepultura iria se apresentar no domingo. Entramos em contato com o Andreas Kisser e ele nos liberou entradas para a banda e a nossa equipe. Em agradecimento fiquei de levar um presente para ele que iria lhe entregar após o show. Nada demais, apenas uma lembrancinha.
No meio do caminho parei para comprar cerveja e enchi o saco de Heineken. Chegando no local, encontrei com nosso fã e grande amigo Adson. Tomamos mais umas três ou quatro cervejas do lado de fora enquanto observávamos a enorme fila, inteira de preto que também embriagados, seja de álcool, ou seja de emoção ficavam berrando "Sepultura! Sepeltura" nos portões. Na sequencia chegou o Stanley ( que além de produzir o Nero, produziu também o Dante e o Alex do S.) e foi muito bom reencontrar. Stanley nos últimos anos foi como um professor para mim na arte de gravações de estúdio, e foi no período em que ele esteve na minha casa que aprendi a usar o programa logic, e gravei músicas da Contra produções como "Possuído (Willian Blake Megamix)" e "Samsara". Material que quem sabe um dia eu lanço na net.
Abertos os portões, entramos e entre uma cerveja e outra ouvia-se o vocalista do Angra cantar músicas medievais com alguma outra banda que não me recordo o nome agora. Acho que ele cantava algo sobre uma princesa e um dragão, e devia ter uma bruxa na história também.
Quando o Sepultura entrou, eu já estava bêbado, e foi muito bom assistir o show assim. Para começar, que o som dos caras estava muito bom, redondinho. ( Nosso amigo Stanley/Sabirila não brinca em serviço). Até meu pai conseguiria compreender os temas de guitarra do Andreas e as palavras do Derick, de tão "Clean" que estavam as frequências sonoras. Isso me fez lembrar da vez em que assistimos aos caras abrindo para o Deftones no Maquinária, e como era discrepante a qualidade do som do Sepultura que literalmente engoliu os gringos. O deftones que é uma banda que eu gosto muito, fez um showzinho que deixou muito a desejar, especialmente após o S. que pelo visto, sempre tira um puta som. Fiquei sabendo posteriormente que o erro foi do técnico dos caras que acabou sendo demitido. Ponto para o "Brazil", nosso amigo Stanley responsável pelo som também não para de acumular pontos.
Eu não parava de beber com o Adson e me lembro de berrar como um Tarrasque (http://www.dotd.com/mm/MM00281.htm) deve berrar quando eles tocaram Territory, minha música preferida, e que me fez lembrar da vez em que o Andreas tocou essa música com a Maldita na rocinha ( http://www.youtube.com/watch?v=znpcsinqjv4) convenhamos que esse é o desejo de todas as bandas de som pesado do país. Além de que o Andreas é o cara mais responsa/Sangue bom/irado, qualquer coisa que o diga de todo o showbusines que eu já conheci. Humildade não seria a palavra certa para descreve-lo. O cara cara é FODA mesmo.
Eles encerraram o show com "Roots" e fiquei sentindo falta de uma música chamada "Óstia" que tem uns violinos no meio e geralmente quando a estou ouvindo, sou transportado para outro lugar. Resumindo, o show foi muito bom. Quando terminou, eu estava alucinado. Bem doido mesmo e então nós fomos ao camarim dar um "oi" para os caras.
Chegando no camarim eu estava trôpego e esbarrava nos obstáculos pelo caminho. Alguém me indicou aonde era o caminho e fui reconhecer depois em imagens de um sonho distante que era a Monica Cavalera. Dentro do camarim tinha uma modesta mesa de frios e tudo o que consegui fazer foi ficar comendo. Minha cabeça girava e o sal dos pepinos que comia me ajudava a manter o equilíbrio, também tinha mais bebida por lá. Dei uma abraço no Fumaça (Derick) e entreguei o presente do Andreas. Enfiei mais um daqueles salgados na boca e sai fora de lá pois a luz era muito fria e opressora. Gostaria de ter dito alguma coisa mais construtiva para a banda, mas as palavras não me vinham ou saiam a boca. Na volta tropecei em alguma coisa, não me lembro o que, acho que pisei no pé do segurança manchando de vomito seu sapato novo, e missão comprida eu estava novamente junto a multidão que é um lugar mais familiar para mim. Ia começar o show da última banda "MachineHead" Não aguentei. Assistimos três ou quatro músicas e fomos embora pela porta da frente.
É por essas e outras que a nota desse grande evento foi 8.5
Show ; 8.0
Repertório ; 7.0
Comportamento ; 7.0 (mesmo eu estando como estava fiquei totalmente na moral)
Contato com a banda ; 4.5 (Não foi culpa dos caras, e sim minha e de minha subjetividade monstruosa e opressora).
Total 8.5
No caminho de volta, fiquei traçando analogias entre o Derick e o Tarrasque. Muito parecidos!
No meio do caminho parei para comprar cerveja e enchi o saco de Heineken. Chegando no local, encontrei com nosso fã e grande amigo Adson. Tomamos mais umas três ou quatro cervejas do lado de fora enquanto observávamos a enorme fila, inteira de preto que também embriagados, seja de álcool, ou seja de emoção ficavam berrando "Sepultura! Sepeltura" nos portões. Na sequencia chegou o Stanley ( que além de produzir o Nero, produziu também o Dante e o Alex do S.) e foi muito bom reencontrar. Stanley nos últimos anos foi como um professor para mim na arte de gravações de estúdio, e foi no período em que ele esteve na minha casa que aprendi a usar o programa logic, e gravei músicas da Contra produções como "Possuído (Willian Blake Megamix)" e "Samsara". Material que quem sabe um dia eu lanço na net.
Abertos os portões, entramos e entre uma cerveja e outra ouvia-se o vocalista do Angra cantar músicas medievais com alguma outra banda que não me recordo o nome agora. Acho que ele cantava algo sobre uma princesa e um dragão, e devia ter uma bruxa na história também.
Quando o Sepultura entrou, eu já estava bêbado, e foi muito bom assistir o show assim. Para começar, que o som dos caras estava muito bom, redondinho. ( Nosso amigo Stanley/Sabirila não brinca em serviço). Até meu pai conseguiria compreender os temas de guitarra do Andreas e as palavras do Derick, de tão "Clean" que estavam as frequências sonoras. Isso me fez lembrar da vez em que assistimos aos caras abrindo para o Deftones no Maquinária, e como era discrepante a qualidade do som do Sepultura que literalmente engoliu os gringos. O deftones que é uma banda que eu gosto muito, fez um showzinho que deixou muito a desejar, especialmente após o S. que pelo visto, sempre tira um puta som. Fiquei sabendo posteriormente que o erro foi do técnico dos caras que acabou sendo demitido. Ponto para o "Brazil", nosso amigo Stanley responsável pelo som também não para de acumular pontos.
Eu não parava de beber com o Adson e me lembro de berrar como um Tarrasque (http://www.dotd.com/mm/MM00281.htm) deve berrar quando eles tocaram Territory, minha música preferida, e que me fez lembrar da vez em que o Andreas tocou essa música com a Maldita na rocinha ( http://www.youtube.com/watch?v=znpcsinqjv4) convenhamos que esse é o desejo de todas as bandas de som pesado do país. Além de que o Andreas é o cara mais responsa/Sangue bom/irado, qualquer coisa que o diga de todo o showbusines que eu já conheci. Humildade não seria a palavra certa para descreve-lo. O cara cara é FODA mesmo.
Eles encerraram o show com "Roots" e fiquei sentindo falta de uma música chamada "Óstia" que tem uns violinos no meio e geralmente quando a estou ouvindo, sou transportado para outro lugar. Resumindo, o show foi muito bom. Quando terminou, eu estava alucinado. Bem doido mesmo e então nós fomos ao camarim dar um "oi" para os caras.
Chegando no camarim eu estava trôpego e esbarrava nos obstáculos pelo caminho. Alguém me indicou aonde era o caminho e fui reconhecer depois em imagens de um sonho distante que era a Monica Cavalera. Dentro do camarim tinha uma modesta mesa de frios e tudo o que consegui fazer foi ficar comendo. Minha cabeça girava e o sal dos pepinos que comia me ajudava a manter o equilíbrio, também tinha mais bebida por lá. Dei uma abraço no Fumaça (Derick) e entreguei o presente do Andreas. Enfiei mais um daqueles salgados na boca e sai fora de lá pois a luz era muito fria e opressora. Gostaria de ter dito alguma coisa mais construtiva para a banda, mas as palavras não me vinham ou saiam a boca. Na volta tropecei em alguma coisa, não me lembro o que, acho que pisei no pé do segurança manchando de vomito seu sapato novo, e missão comprida eu estava novamente junto a multidão que é um lugar mais familiar para mim. Ia começar o show da última banda "MachineHead" Não aguentei. Assistimos três ou quatro músicas e fomos embora pela porta da frente.
É por essas e outras que a nota desse grande evento foi 8.5
Show ; 8.0
Repertório ; 7.0
Comportamento ; 7.0 (mesmo eu estando como estava fiquei totalmente na moral)
Contato com a banda ; 4.5 (Não foi culpa dos caras, e sim minha e de minha subjetividade monstruosa e opressora).
Total 8.5
No caminho de volta, fiquei traçando analogias entre o Derick e o Tarrasque. Muito parecidos!
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
Eric Clapton

Nessa segunda feira fui ao HSBC Arena no Maldito Rio de Janeiro assistir ao show do grande tiozão do Rock, Eric Clapton. Em primeiro lugar, dos milhares de shows que tenho ido ultimamente, nunca tinha acontecido de eu chegar atrasado, porém, devido a um erro na logística dos organizadores, ou da incapacidade que o carioca, de um modo geral, tem de se organizar peguei um trânsito de cerca de três horas para chegar nesse lúgubre e descampado Maldito lugar. O HSBC Arena fica nas proximidades de onde foi também o caótico Rock 'n Rio. Não me senti bem faltando o respeito com o Sir. Eric, cheguei lá para a quinta música, mas, cést la vie.
O show foi muito bom, o "tio"tocando guitarra é realmente hipnotizante. Temas diferentes e andamentos inusitados nas músicas mais conhecidas tornam tudo uma surpresa. A clássica "Layla" por exemplo, foi tocada em ritmo de uma marcha fúnebre. Eu gostei. É o tipo de show que faz a gente se sentir parte de algo maior. Algo que veio do espaço e atingiu os negros que moravam no mississipi Nova Orleans quando desenvolveram o Blues. Furtivamente sai correndo para comprar uma cerveja e, pronto. O show ficou ainda melhor, a atmosfera de "tios" (acima dos 45 anos) e dos sobrinhos (abaixo de 45 anos) cantando "Cocaine" foi envolvente. O show era sentado, porém o brasileiro que é mal educado por natureza não gosta disso, então tinha sempre alguém levantando (inclusive eu) e o segurança mandando sentar. Na última música todas as 25 mil pessoas se levantaram e foram para a frente do palco. Tio Eric Clapton que hoje em dia trocou a calça jeans por um confortável moleton deve ter gostado dessa atitude tão "Brasileira" de ser.
A predominância do público era acima dos 45, e foi divertido acompanha-los cantando para suas esposas "Before you acuse me, take a look at your self" algo que dever querer dizer a trinta anos, mas não podem devido ao convencionalismo do matrimônio. vimos também um senhor com a cabeça toda branca, deveria ter seus quase setenta anos virar para a mulher e dizer "Agora espera amor, que eu vou lá no banheiro cheirar o meu "Cocaine". Sensacional. Essa geração viveu coisas a minha não chegará perto nem eu seus maiores devaneios. Eric Clapton é um símbolo dessa geração.
Após minha segunda e última cerveja da noite fiquei me sentindo em um desses enormes salões de festas ou de jogos. Todos falavam meu nome; Eric para lá e para cá. Fiquei meio tonto, nunca tinha estado em um grande show aonde o nome do grande artista fosse o mesmo que o meu. Você já esteve? No final eles tocaram uma música do Cream e a multidão (de todas as idades) se levantou e resolveu invadir, quero dizer, assistir, o ídolo de perto. Eu me estressei com o segurança que se estressou comigo e assim desenvolvemos nossa recíproca relação.
Em resumo, o show foi muito agradável. o ambiente era pacífico, o público diferente, e o Eric Clapton estava demais. Sua voz ( para quem sofreu durante quase meio século do mal que se detém sobre nós que é o alcoolismo e o vício em heroína) é clara como cristal. Seus solos de guitarra são libertadores. A sua gig; Um pianista, um tecladista, duas cantoras e o baixista e demais agradável. Um tipico programa para se fazer com a família, voltar para casa, tomar uma dose de Wisky e dormir bem.
Show 8.0
Repertório 8.0
Organização 7.5
comportamento 10.0
Nota do evento 8.0
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
Ontem, Limbo no Baixo Gávea
Os portais do inferno, eu já os deixei abertos desde a hora em que sai de casa ontem as 19:00. Geralmente quando isso acontece e eu saio cedo assim, me torno vulnerável a qualquer tipo de má aventurança.
Com uma caminhada enérgica após um dia bastante saudável, eu cheguei rápido ao bucólico Baixo Gávea para encontrar o Léo, antigo tecladista da Maldita. Comemos uma Pizza, e pore u ter deixado as portas do inferno abertas, bebemos desenfreadamente. O mal do homem, e o meu meu mal é a bebida. Não ha no mundo nada que te deixe mais alegre e mais sucetível a vivenciar uma antiga tragédia greaga que a bebida.
O telefone toca e além do Lereu que também está com a gente, o meu advogado está chegando.
Conversas hebefrênicas como a de uma criança retardada em torno do show do System of a down, guardiões de portais do inferno incitando a multidão. Calígula tinha um cavalo chamado Incitatus, ele também estava lá. Cervejas e mais cervejas e cigarros e um gusto de merda na boca que certamente durará. Fala desenfreada, maneirismos e logorréias, me tornando uma caricatura de mim mesmo. Confusão? Alguém falou torto comigo? Era eu mesmo me mijando no banheiro. Conversas sem nexo sobre o Rock n Rio. Dor e frustração. O olho negro do mal marcando junto de mim e me observando cada passo, cada movimento, cada palavra.
Não me lembro como cheguei em casa. Só sei que cheguei. Hoje de manhã um bilhete. “Você deixou o gás ligado. Podia ter matado a todos nós”. Creio que foi dali que os demonios sairam. Do gás da cozinha, tubulações tão rústicas e das profundezas que chegam a fazer conexão com o inferno. Uma linha expressa do metro. Primeira estação Pandora, depois Tenebras, salta, faz uma baldeação no Limbo, pega para Malebolgia, depois para minha cabeça e possívelmente para minha morte.
Acordo 10:30 da manhã com o telefone tocando. É o Vidaut dizendo que vamos antecipar nossa gravação hoje as 15:00. Gravaçao do novo projeto da banda. Um projeto que se chama montagem por que ele é uma montagem de sons. Pego um copo de água, jogo uns comprimidos para dentro e me lembro dos Ramones que um dia cantaram “Hey How let’s go!”. Também lembro do cemitério e do dia da minha morte. Um pedaço da minha alma ainda está lá no baixo gávea sendo varrido pelo lixeiro junto com as garrafas de vidro e os flyers de eventos. Coisas que não consigo me lembrar. Alguém vai fazer um Vernisage hoje, mas acho que derrubei miha bebida no pé da namorada dele. Vozes do além me provocam, meu advogado diz que eu tenho que me movimentar, talvez seria melhor se eu começasse a fumar cigarros, ele me recomenda. Alguém grita no banheiro. O Lereu se atrasa.
É por essas e outras que a nota para a noite de ontem é 5.0
Biaxo gávea 5.0
Comportamento 5.5
Com uma caminhada enérgica após um dia bastante saudável, eu cheguei rápido ao bucólico Baixo Gávea para encontrar o Léo, antigo tecladista da Maldita. Comemos uma Pizza, e pore u ter deixado as portas do inferno abertas, bebemos desenfreadamente. O mal do homem, e o meu meu mal é a bebida. Não ha no mundo nada que te deixe mais alegre e mais sucetível a vivenciar uma antiga tragédia greaga que a bebida.
O telefone toca e além do Lereu que também está com a gente, o meu advogado está chegando.
Conversas hebefrênicas como a de uma criança retardada em torno do show do System of a down, guardiões de portais do inferno incitando a multidão. Calígula tinha um cavalo chamado Incitatus, ele também estava lá. Cervejas e mais cervejas e cigarros e um gusto de merda na boca que certamente durará. Fala desenfreada, maneirismos e logorréias, me tornando uma caricatura de mim mesmo. Confusão? Alguém falou torto comigo? Era eu mesmo me mijando no banheiro. Conversas sem nexo sobre o Rock n Rio. Dor e frustração. O olho negro do mal marcando junto de mim e me observando cada passo, cada movimento, cada palavra.
Não me lembro como cheguei em casa. Só sei que cheguei. Hoje de manhã um bilhete. “Você deixou o gás ligado. Podia ter matado a todos nós”. Creio que foi dali que os demonios sairam. Do gás da cozinha, tubulações tão rústicas e das profundezas que chegam a fazer conexão com o inferno. Uma linha expressa do metro. Primeira estação Pandora, depois Tenebras, salta, faz uma baldeação no Limbo, pega para Malebolgia, depois para minha cabeça e possívelmente para minha morte.
Acordo 10:30 da manhã com o telefone tocando. É o Vidaut dizendo que vamos antecipar nossa gravação hoje as 15:00. Gravaçao do novo projeto da banda. Um projeto que se chama montagem por que ele é uma montagem de sons. Pego um copo de água, jogo uns comprimidos para dentro e me lembro dos Ramones que um dia cantaram “Hey How let’s go!”. Também lembro do cemitério e do dia da minha morte. Um pedaço da minha alma ainda está lá no baixo gávea sendo varrido pelo lixeiro junto com as garrafas de vidro e os flyers de eventos. Coisas que não consigo me lembrar. Alguém vai fazer um Vernisage hoje, mas acho que derrubei miha bebida no pé da namorada dele. Vozes do além me provocam, meu advogado diz que eu tenho que me movimentar, talvez seria melhor se eu começasse a fumar cigarros, ele me recomenda. Alguém grita no banheiro. O Lereu se atrasa.
É por essas e outras que a nota para a noite de ontem é 5.0
Biaxo gávea 5.0
Comportamento 5.5
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
System of a Down apoteótico

System of a down
No último Sábado fui a chácara do Jockei em São Paulo assistir ao show do System of a Down que mais parecia a celebração da virada do ano. O público, transbordando de uma indizível alegria, se abraçava e se batia cantando as musicas que vem marcando suas vidas nesses últimos dez anos.
Surgidos em uma década marcada pela musica pop, o Hip hop e o melódico, o SOAD transcendeu barreiras e se tornou a maior e mais criativa banda de Rock do século XXI.
Ao vivo, eles não deixam nada a desejar. A qualidade do som é tão boa quanto o Cd. A fusão dos ritmos (Metal/Rap/ Regional) somado a interpretação peculiar de Serj Tankian te deixam tão animado como em uma torcida de Futebol. A banda inteira é faixa preta, inclusive os técnicos de som, que tiraram um som impecável na Chacra do Jockei. O Malakian as vezes da uma vacilada nas Guitarras, mas creio que seja até de propósito, pois o Rock tradicionalmente é cheio dessas vaciladas e alguns outros erros.
O repertório foi completo. Tocaram o”Toxicity”praticamente inteiro, e ainda clássicos do primeiro álbum como “Suggestions”e “Mind” Que deixou os fãns tão loucos, que tive que chegar um pouco para o canto com minha namorada e a minha cerveja derramada. Ainda tocaram “Innervision” que é um lado B clássico da Banda. Faltou apenas “Spider”, como o apelido do Anderson Silva.
O público ficou enlouquecido e satisfeito. Nenhuma confusão, ninguém puto. Galera se abraçava e cantava os refrões como se fossem hinos de seus clubes de Futebol, até mesmo o hino de toda uma nação. O sorrisos e os olhos injetados estavam estampados em cada fã.
Eu tive uma das noites mais agradáveis da minha vida em termos de entretenimento. Bebi muitas cervejas, cantei todas as músicas, não fumei maconha, e berrei como em uma seção de descarrego. As dores que vinha sentindo na lombar diminuíram significativamente no dia seguinte. O SOAD tem o poder da cura, aliás isso é algo que Serj insiste em dizer no show. O homem do séc XX ruma em sua auto destruição em meio a produção de tecnologia em massa. A cura ou a salvação não está em deus, nem no consumismo, em nossa capacidade em nos conectar com o planeta que é um organismo que faz parte de nós como as células no nosso corpo.
Os caras não estão de bobeira, sai todo mundo renovado do show. E apesar de alguns acharem a mensagem clichê, é exatamente o que acontece na situação atual do nosso mundo. Falhas na conexão entre a mente, o corpo e o planeta.
Resumindo o Show foi Excelente. Não sou critico, nem porra de pobre Diabo que o seja, mas a nota que dou para os caras é 10.
Banda– 10
Repertório – 10
Organização do evento – 9,5
sexta-feira, 29 de abril de 2011
Diálogos do céu e da terra

Garotos egípcios fumam maconha com o grande deus Anubis. A erva é boa e o deus cachorro fica com a boca seca. Telepaticamente ele ordena um copo de água. Um dos garotos se retira. O outro se ajoelha para o grande deus urinar. O mijo quente se epalha pelo rosto do garoto que permanece sorrindo. Não é todo dia que recebemos o mijo de um deus. Ademais, seus cabelos agora ficarão loiros para o resto da vida.
- Legal, não vou mais precisar descolorir.
Anubis retira um amuleto de seu peito e olha para o jovem. Ele não fala apenas pensa:
-Quando chegar a hora, você vai guardar isso para mim. Dentro de você.
O garoto responde em forma de uma oração:
- Eu guardo o que você quiser, aonde você quiser, meu deus.
A luz de rebalta sai do egito e ilumina a mesopotânia aonde um Anti-deus está exposto ao sol. Ele conversa com o astro.
- Tem gente me chamando lá no Brasil. Parece que está rolando uma festa e querem que eu vá lá para tocar o terror.
O sol com toda sua imponência pergunta:
- E você vai?
- Não sei. Estou meio cansado dessa vida. Já são mais de cinco mil anos estragando a festa dos outros. Sabe sol, é estranho pensar que por todos esses anos nós pensávamos que eramos só nós as divindades da terra né?
- Não te entendo criatura...
- É que por todos esses anos eu realmente achava que eu e você fossemos as únicas forças sobrenaturais da terra.
- Depois que mataste teu irmão Huwawa.
- Isso, depois de arrancar a cabeça dele. Com toda essa coisa de internet, e a nova ordem, eu realmente fiquei confuso. Não sei mais se quero possuir pessoas e fazer danças exóticas. Para ter ser sincero, nem sei mais se elas ainda creditam em mim. Acho que requisitam minha presença apenas de forma simbólica.
- Pois estais errado.
O demônio de pedra ergue seu olhar de animal abandonado. O grande astro o termina de consolar:
- Sim Pazuzu, estais enganado. Eles acreditam mais em você agora do que jamais acreditaram em outro Aeom da Terra.
A nova ordem, é a ordem dos que acreditam em demónios e no sobrenatural.
sábado, 16 de abril de 2011
Marca no Pau


Ele ficava de cinco em cinco minutos colocando a mão no ziper, e olhando o pau, como se aquilo fosse de alguma forma miraculosa, fazer com que a ferida cicatrizasse mais rápido. Ou qualquer outra coisa, que ajudasse a resolver o seu problema.
A escoriação permanecia a mesma. Poxa, quanto tempo mais será que levaria para que aquela mancha vermelha diminuisse? Dias? Semanas? Não se sabe ao certo, mas algo lhe dizia, que só o fato de sacar o pau e examina-lo, já contribuia para algum tipo de cura. E quando cicatrizasse? Aquilo iria formar algum tipo de casca?
Dias lúgubres, estes em que passou com o pau machucado.
Então ele poderia estar em qualquer lugar, na faculdade, no carro, ou no metro, que sentia o corte contra o tecido da cueca e tinha que dar uma olhada naquela ferida. Ela ainda estava lá, quero dizer, será que ela algum dia existiu? Poderia tudo ser uma paranóia. Possívelmente só um arranhão.
Pensar esse tipo de coisa, e dar o confere rotineiro, de fato estava ajudando. A marca, dava a impressão que ia sumindo, até o dia em que chegou a perguntar se de fato ela realmente existiu.
Alquimia do corpo. Paranóia de auto preservação. Da próxima vez é melhor um preservativo.
O fato é que a cada dia se tornava mais frequente a relação sexual inter-espécimes.
O gabinete das curiosidades. Bebês mutantes. O jornal anuncia o nascimento do bebê com um olho só. Já é o vigésimo quinto essa semana. Autoridades sanitárias dizem que se trata de uma força fora da natureza. Os pais da criança estão orgulhosos. A mãe participa de uma coletiva de cryptzoologia: - Ficamos gratos pois o olho não é nem o esquerdo, nem o direito. Trata-se do terceiro olho. O olho intuitivo.
independente da explicação Darwiniana, ou do sistema de crenças espirituais do oriente, a explicação para os bebês ciclopes é simples; O pai ou a mãe da criança andaram praticando relações sexuais inter-espécimes com híbridos. Possivelmente os lagartos.
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